Toda vez que o povo brasileiro começa a ter vez e voz e a democracia se consolida, a ultradireita, apoiada pelo Império do Norte e pela grande imprensa brasileira, dá o golpe e instala a ditadura. É a ameaça que, mais uma vez, paira no ar em 2026.
Em 1954, Getúlio Vargas, um rico fazendeiro de São Borja (RS) antes de se suicidar, escreveu a histórica Carta Testamento: “Mais uma vez a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. (…) A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobras foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.”
Continua Getúlio na Carta Testamento: “Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. (…) Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para a História.”
Quando Jânio Quadros renunciou à Presidência da República em 1961, as forças da ultradireita, apoiadas pela grande imprensa e pelo Império do Norte, não deixam seu vice, João Goulart, assumir a Presidência. O governador Leonel Brizola organiza a Campanha da Legalidade no Rio Grande do Sul, povo na rua, até Jango poder assumir como presidente e propor as Reformas de Base, entre as quais a Reforma Agrária. O povo se levanta, e começa a ter vez e voz.
Contra as Reformas de Base, é dado um golpe militar em final de março, início de abril de 1964. E uma ditadura militar, com perseguições, prisões, tortura, mortes e muitos exílios instala-se no Brasil por 21 anos. Nos anos 1980, a luta popular, as Diretas-Já e uma Constituinte, povo de novo com vez e voz, reconduzem o Brasil à democracia.
Lula ganha as eleições em 2002. Lança o Programa Fome Zero, com políticas de participação social e popular, como a construção da RECID, Rede de Educação Cidadã. Lula é reeleito em 2006 e, em 2010, consegue eleger sua sucessora, uma trabalhista histórica, ex-presa politica, a primeira mulher presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. E que é reeleita em 2014.
Era demais para as forças de ultradireita, a grande imprensa e o Império do Norte, ainda mais tendo sido construídos Conselhos e Conferências com participação social de todos os tipos, a PNEPS-SUS, Política nacional de Educação Popular em Saúde, o Marco de Referência da Educação popular para as Políticas públicas, uma Politica nacional de Participação Social, uma Política e Plano de Agroecologia e Produção Orgânica, entre outras muitas ações, políticas e iniciativas, dando, de novo, vez e voz ao povo brasileiro.
O golpe acontece em 2015/2016. Há o impeachment da presidenta Dilma, e o Brasil mergulha no caos da ultradireita e do Império do Norte, com a destruição de todas as políticas públicas com participação social, o fim da soberania e da democracia no final dos anos 2010 e início dos anos 2020.
Mas o povo brasileiro se levanta mais uma vez e reelege Lula em 2022, depois de ele ficar preso injustamente por 580 dias. E retornam as políticas de participação social, os Conselhos e Conferências com participação social voltam a estar presentes e ativos. Povo com vez e voz.
Estamos em 2026, Lula pode ser eleito pela quarta vez, fato inédito na história da democracia brasileira. Emergem e ganham espaço a vez e a voz do povo. De novo a ultradireita, com apoio do Império do Norte e de parte da grande imprensa, tenta dar o golpe e acabar com a soberania e a democracia. É o que está em jogo, mais uma vez, neste momento histórico, em meio a uma crise civilizatória, com guerras, com ausência de paz, com crise climática, o povo tentando respirar, o Império do Norte mostrando suas garras.
A vez e a voz do povo brasileiro não podem ser caladas de novo. É o que está em jogo nesta quadra da história. É preciso resistir. Por isso e muito mais, as eleições de 2026 são as eleições das nossas vidas. Hora de preservar a soberania. Hora de garantir a democracia. Hora de dar vez e voz ao povo brasileiro e, na boa luta, ESPERANÇAR.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

