Sinpro-DF

Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF)

O preço do descaso: adoecimento da categoria e Ideb em queda escancaram crise na educação do DF 

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Sobrecarga, salários defasados e falta de suporte precarizam atuação de professores
Sobrecarga, salários defasados e falta de suporte precarizam atuação de professores | Crédito: Jotta Casttro/SEEDF

Quem paga são os profissionais da educação e os 458 mil estudantes da rede pública

A capital do país ostenta um paralelo preocupante: enquanto seus professores e orientadores educacionais adoecem em números recordes, a qualidade da educação pública desaba. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 colocou o Distrito Federal com o pior desempenho no ensino médio, com a rede pública não atingindo a meta em nenhuma das etapas de ensino. 

Para o Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), não se trata de um mero acaso, mas de uma relação direta entre esse desempenho pífio e as condições de trabalho dos profissionais da educação. 

Os números do adoecimento docente são estarrecedores.  Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, de 2023 para 2024, o número de afastamentos de profissionais da educação por transtornos mentais e comportamentais aumentou 68%. No Distrito Federal, a situação é ainda mais crítica: 56% dos educadores se afastam anualmente para tratar a saúde, sendo que 70% desses afastamentos estão relacionados a transtornos mentais e comportamentais. 

Mais de 3 mil professores se afastaram em 2023, colocando a categoria do magistério público do DF na segunda colocação entre as que mais se afastam no país.

A Síndrome de Burnout, classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença ocupacional; depressão; ansiedade; distúrbios osteomusculares (DORT/LER) e problemas vocais estão entre os principais diagnósticos. 

“O adoecimento muitas vezes vem pela impossibilidade de comunicar tantas dores. Elas aparecem nas frestas, como enxaquecas, dores musculares, insônia, medo, que é uma forma de evitar explodir em lugares errados diante de tanta demanda”, explica Luciane Kozicz, psicóloga do Sinpro e pesquisadora do Núcleo de Trabalho e Linguagem da Universidade de Brasília (UnB).  

Causas estruturais 

O cenário não é fruto do acaso. A sobrecarga de trabalho, salários defasados, falta de suporte por parte da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), condições precárias de trabalho e a carência de profissionais são apontados como os principais causadores do adoecimento em massa. 

A defasagem salarial agrava o quadro. Em 2015, o vencimento básico dos educadores estava mais de 100% acima do Piso Nacional do Magistério. Foram oito anos de congelamento dos salários, cenário modificado após greves realizadas pela categoria e intensa luta do Sinpro pelo reajuste salarial. Enquanto isso, o governo Ibaneis/Celina aprovou reajuste de 25% para si próprio e para o alto escalão. 

Diante desse cenário, o Sinpro tem atuado em múltiplas frentes. Além de cobrar as nomeações e concurso público para reposição do quadro, o sindicato mantém a Clínica do Trabalho, criada em 2018 com o objetivo de oferecer atendimento psicológico individual e promoção de palestras nas escolas. 

Desde que o protocolo contra a violência foi criado em 2024, o Sinpro já atendeu 134 casos, tendo como principais motivos assédio moral no ambiente de trabalho (35,8%), ameaças e outros crimes contra a honra cometidos por pais de alunos (20,1%), agressões de alunos do Transtorno do Espectro Autista (TEA) contra professores ante a ausência de monitores escolares (19,4%), agressões físicas ou ameaças de alunos contra os professores (12,7%), discriminação racial (6%) e outros tipos de acolhimento (6%). 

Enquanto o DF comemora ter alfabetizado 65% das crianças ao final do 2º ano do Ensino Fundamental, os números gerais do Ideb mostram que o preço do descaso é alto demais e quem paga são os profissionais da educação e os 458 mil estudantes da rede pública. 

A pergunta que fica é: até quando a capital do país vai tratar seus educadores como peças descartáveis de um sistema que insiste em falhar?

*Diretoria do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF)

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato – DF.


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Editado por: Clivia Mesquita

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