Vicente Rauber

Engenheiro especializado em Planejamento Energético e Ambiental.

Feliz 2026: precisamos!

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2026
Queima de fogos na Orla do Guaíba marcou a virada dos últimos anos. Neste Réveillon a festa será no Parque Harmonia | Crédito: Foto: Joel Vargas/PMPA

Um projeto renovado de desenvolvimento faz-se necessário para a Presidência da República, os estados e respectivos parlamentos

O nazifascismo continua forte no mundo e no Brasil, para desgraça do planeta, seu ambiente natural e as pessoas.

Resistir é preciso! Mais do que isto: um projeto renovado de desenvolvimento faz-se necessário para a Presidência da República, os estados e respectivos parlamentos. Superar o pior congresso de todos os tempos é fundamental. A democracia e a construção da soberania precisam prevalecer.

É vital acelerar a proteção contra os eventos climáticos, bem como a transição energética e demais medidas para a recuperação do planeta.

E será ilusão sonhar com o hexa?

O nazifascismo continua forte no mundo e no Brasil. A tentativa de golpe de 2002/2003 foi punida, como nunca antes no Brasil, mas o golpe continua operante, especialmente com apoio do pior congresso da história do Brasil.

O golpe de Trump contra a Venezuela, ilegal perante a legislação internacional e a própria legislação norteamericana, integra o criminoso nazifascismo vigente.

Para o Brasil avançar como nação forte, digna e justa socialmente e ambientalmente sustentável, é preciso enfrentar e vencer a situação acima. Senão o retrocesso poderá ser trágico.

Teremos eleições gerais: Presidência da República, Senado, Deputados Federais. Governadores e Deputados Estaduais.

Avançar é preciso: todos os votos devem estar comprometidos com a democracia

Para que não haja mais retrocesso, avançar é preciso! Todos os votos precisam estar comprometidos com o aprofundamento da democracia para todos(as).

Os parlamentos – senado, câmara federal e assembleias legislativas estaduais – devem ter a sua autonomia, mas não devem voltar a condicionar os executivos, tal como o Centrão procede hoje, a nível federal, comprometendo a gestão pública.

Os executivos precisam de projetos capazes de implantar ou aprofundar o desenvolvimento sustentável ambiental e economicamente, atendendo o interesse público, ou seja, ser para todos(as).

Sugerimos abaixo elementos que entendemos como fundamentais deste projeto de desenvolvimento.

Reafirmar soberania externa e avançar soberania interna

– Reafirmar nossa soberania externa com multilateralismo, mantendo relações altivas com todas as nações, inclusive com os EUA. Ampliar e fortalecer os BRICS, consolidar o Mercosul e estabelecer um Acordo com o Euro.

– Ampliar a soberania interna, aumentando as rendas e promovendo uma melhor distribuição delas, superando nossa péssima condição de quinta pior nação em diferenças sociais. Buscar melhorar ainda mais a cobrança de impostos, menos indiretos sobre o consumo e produção e mais diretos sobre renda e patrimônio e buscar um melhor equilíbrio entre os setores econômicos, como fazem os países avançados do capitalismo em ambas as situações. Não por acaso estamos entre os países com as maiores taxas de juros do mundo e entre as piores distribuições de renda;

– Implantar a nível nacional o orçamento participativo, de preferência incluindo uma nova distribuição federativa das receitas públicas, e tentar substituir as emendas parlamentares neste processo. Desta forma, também possibilitar um desenvolvimento regional mais equilibrado. As obras e ações locais devem caber aos estados e municípios, enquanto a União deve cuidar melhor das relações internacionais, da economia e das políticas setoriais de sua competência;

– As obras, tanto nacionais como locais, precisam ser melhor planejadas, com projetos e recursos previamente definidos. Obras demoradas ou até interrompidas são mais caras e de pior qualidade;

O tráfico precisa ser enfrentado policial e economicamente e com a ocupação estatal dos territórios dominados.

– Especial atenção deve ser dedicada ao crime organizado, ao tráfico em especial, que além de produzir crimes sem fim, domina parte significativa da economia, desorganizando-a e acelerando as diferenças sociais. É preciso desmantelar o crime organizado, que está organizado nacional e internacionalmente, portanto o seu enfrentamento necessariamente deve ter coordenação nacional e integrada por todas as áreas envolvidas nacional e regionalmente. Ao mesmo tempo, estados e municípios precisam retomar criativamente com políticas públicas permanentes os territórios dominados pelo crime.

– Estruturar melhor políticas públicas essenciais, como saúde, educação, assistência social e habitação, buscando recursos adequados;

Saneamento básico e arborização são medidas essenciais contra os eventos climáticos e a favor da qualidade de vida.

– Desenvolver a nível local a universalização do saneamento básico (água, esgotos, resíduos sólidos, drenagem urbana e proteção contra as cheias) exigindo a responsabilização dos municípios, devendo os mesmos ter o apoio dos Estados e União. Para as respectivas obras estruturantes, é essencial a União recriar um órgão operacional;

– Árvores são verdadeiras máquinas ambientais: captam monóxido de carbono, liberam carbono, armazenam água, realizam evapotranspiração, fornecem sombra, e, assim melhoram o clima e combatem a poluição. Áreas de risco devem ser substituídas por áreas verdes. Valorizar fortemente a implantação de florestas urbanas e rurais. Os corredores verdes de Medellin são exemplares;

Políticas fortes contra todas as discriminações, em especial conta o feminicídio.

– Desenvolver, em todos os níveis, políticas pela eliminação de quaisquer discriminações de raça, cor, opção sexual, religião, idade, etarismo, portadores de deficiência e diferenças sociais. Especial atenção ao combate ao feminicídio, que, em 2025, atingiu o pior nível dos registros históricos. Toda a legislação e recursos contra o machismo devem continuar e ser aperfeiçoados, e também são cabíveis (e certamente eficientes) ações pedagógicas preventivas e de acompanhamento psicológico dos potenciais agressores;

Mineração, industrialização e forte redução dos gases de efeito estufa.

– Maior desenvolvimento de políticas de mineração e beneficiamento de terras raras e minerais estratégicos, fundamentais na produção de baterias e toda a cadeia tecnológica;

– Vender commodities (soja, minério de ferro e outros minérios, petróleo e inúmeras mais) é bom; no entanto devemos ter uma industrialização maior destas riquezas, com mais geração de postos de trabalho e renda;

– Atuar fortemente na redução da geração dos gases de efeito estufa – GEEs -, pela ordem das maiores participações: (i) na eliminação das queimadas e deflorestamentos na Amazônia, no cerrado e demais biomas, e intensa implantação de florestas tanto nas cidades como no campo; (ii) nos meios de produção agrícola e pastoril, acelerando a implantação do compromisso brasileiro ABC – Agricultura de Baixo Carbono -; (iii) Valorizar as indústrias de resíduo zero; (iv) universalização da saneamento básico, conforme citado acima, e, (v) acelerar a transição energética, conforme citado a seguir;  

Energia elétrica com mais qualidade e acelerar a produção e introdução de veículos elétricos.

– Acelerar a transição energética, valorizando a introdução dos veículos elétricos (em substituição aos veículos a combustão), especialmente nacionais, e a geração de energias renováveis. A energia elétrica, pelas suas excepcionais qualidades de eficiência e sem gerar poluição em seu uso, deve receber um tratamento especial na sua geração e disponibilização universalizada. O fornecimento de energia elétrica precisa ser realizado com muito maior qualidade. As concessionárias de energia elétrica precisam atuar como concessionárias de energia de energia elétrica, serem capazes de atender com a devida qualidade (mínimo de interrupções e rápida reposição das interrupções), e auxiliar na disponibilização de recarregadores de baterias; o mundo está estruturado na produção e consumo do petróleo; a redução dos combustíveis fósseis dar-se-á à medida que se efetivarem as medidas acima, inclusive com a participação da Petrobras firmando-se como empresa de energia. Enquanto este processo ocorrer, o Brasil deve continuar produzindo,  processando e vendendo petróleo e seus derivados, gerando recursos fundamentais para o seu desenvolvimento, incluindo a própria transição energética.

E a Seleção Brasileira trará o hexa? A considerar seu desempenho dos últimos anos, terá dificuldades até mesmo de passar pela primeira fase classificatória. Porém, tudo indica que o italiano/europeu Ancelotti assumiu o Brasil. Se ele e sua comissão técnica conseguirem imbuir esta disposição nos jogadores brasileiros, hoje basicamente espalhados pela Europa, e que sabem jogar futebol, de se assumirem como brasileiros comprometidos com seu povo, o milagre até pode acontecer.

O Brasil tem avançado, e como tem caminho a percorrer! Retroceder, nem pensar! Feliz 2026, precisamos!

Editado por: Vivian Virissimo

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