O exemplo de Galápagos é mais do que oportuno neste momento de desastres climáticos. A natureza resiste e evolui, mas os humanos precisam ajudar.
Darwin não podia ter sido mais feliz e oportuno ao reconhecer e iniciar a teoria da evolução em Galápagos.
Animais e vegetais resistem e evoluem em meio à natureza com base em lavas vulcânicas. Mais do que isto: superam os ataques e explorações de europeus, piratas, corsários e baleeiros, em especial, antes e depois de Darwin, e das Forças Armadas dos EUA, durante a segunda Guerra Mundial. A situação chegou a ser muito crítica, mas desde 1950 há um amplo programa de recuperação.
Antes de Galápagos, Darwin navegou de 1831 a 1835, colhendo e observando amostras geológicas, botânicas e zoológicas, analisando a diversidade e a sua adaptação.
Em especial deteve-se na América do Sul: Fernando de Noronha, Salvador, Rio de Janeiro, Montevidéu, Bahia Blanca (Arg), Patagônia, Terra do Fogo e Ushuaia, Chiloé e Valparaiso (Chile), chegando em Galápagos em setembro de 1835. Ou seja, chegou com uma base de informações e tendências muito boa.
Tinha então diante de si, milhões de anos de evolução natural a partir das erupções de vulcões, e dos ataques e explorações humanas, e via como os seres vivos resistiam e evoluíam para sobreviver.
Os espanhóis chegaram em 1835, outros europeus e piratas corsários passaram 300 anos retirando e destruindo.
Os espanhóis chegaram inicialmente a Galápagos em 1835 e lá, além e outros povos europeus, fizeram registros, mapeamentos e retiraram riquezas durante 300 anos.
Não há como contar e entender a história de várias regiões do Mundo, em especial da América Latina, inclusive na costa brasileira, sem abordar a ação de piratas e corsários, que atuavam sob a cobertura e/ou patrocínio de coroas europeias.
Em Galápagos, especialmente piratas e corsários ingleses e holandeses, também mapearam o Arquipélago, usaram-no como esconderijo e base de reparos de suas embarcações e retiravam riquezas, principalmente as tartarugas-gigantes, que podiam ficar nos porões das fragatas e navios por até um ano e ainda assim fornecer carnes macias, óleos, ovos, sangue, cascos e ossos.
Preferiam as fêmeas, de carnes mais tenras e óleos melhores. Quase acabaram com a espécie! Hoje, no Arquipélago, existem aproximadamente 7 machos para cada fêmea, dificultando a preservação e ampliação dos galápagos (o nome representa tartarugas gigantes, típicas desta região).
Floreana: o início dos moradores permanentes
Em 1807 o irlandês Patrick Wittmer estabeleceu-se na Ilha Floreana, sendo o primeiro morador permanente de Galápagos.
Em 1933 nasceu Rolf Wittmer, filho dos colonos alemães Heinz e Margret Wittmer, sendo o primeiro descendente nativo do Arquipélago.
Novos imigrantes europeus vieram.
Em 1832 o Equador assumiu o Arquipélago, passando a estruturar as Ilhas de Floreana e San Cristóbal, a atual capital da Província.
Além de Darwin, outras pesquisas científicas ocorreram.
Também prosseguiram as explorações. Os piratas diminuíram, mas intensificaram-se os terríveis baleeiros, que são caçadores de baleias e mamíferos marinhos, além de atacar pessoas. Em Galápagos caçavam as tartarugas e focas e atacavam os colonos, especialmente os alemães.
EUA usaram e abusaram de Baltra e San Cristobal na Segunda Guerra.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA ocuparam a Ilha de Baltra (atualmente deserta, mas abriga primeiro aeroporto autossustentável, o Seymoir), visando proteger o Canal do Panamá. E também ocuparam a Ilha de San Cristobal com 10.000 soldados e equipamentos de guerra, realizando simulações e treinamentos. Retiraram-se em 1946, deixando muita destruição.

Era hora de reagir. Desde 1950 há esforços e programas auxiliando a preservação, recuperação e ampliação da vida de Galápagos.
A partir de 1959 estão proibidas a entrada de espécies invasoras, animais e vegetais estranhos a Galápagos, aspecto controlado pela ABG – Agência de Biossegurança de Galápagos.
A ampla recuperação conquistou o Primeiro Patrimônio Mundial Natural da UNESCO.
Frisamos a atual existência de vários criadouros de galápagos, incluindo recursos artificiais, como a chocagem de ovos em areias controladas.



Os esforços e ações são locais e internacionais. O Governo Equatoriano edita leis e realiza a gestão do Arquipélago, incluindo a Direção do Parque Nacional de Galápagos, atualmente com 97% da área terrestre. Possui a participação da Galápagos Conservancy, que financia projetos como a restauração de tartarugas gigantes e iguanas.
A Fundação Charles Darwin, há mais de 60 anos realiza pesquisas científicas, ecossistemas e espécies invasoras através da Estação de Pesquisa Charles Darwin. A britânica Galápagos Wildlife Fund apoia a conservação marinha e terrestre, como também faz o reconhecido WWF – World Wildlife Fund.
Há comprometimento e participação de cientistas e da comunidade local, de forma extraordinária. E ainda de pessoas, como o artista Leonardo DiCaprio, que financia a restauração da vida selvagem em Floreana, ilha usada para gravação de filmes.
Em 8 de setembro de 1978, a ONU declarou Galápagos o Primeiro Patrimonio Mundial Natural da UNESCO, por sua diversidade única, recuperação de espécies endêmicas como os galápagos e iguanas marinhas e papel essencial nos estudos de Charles Darwin. Em 2001 incluiu a Reserva Marinha do Arquipélago e em 2025 acrescentou 20,6 milhões de hectares à Reserva da Biosfera de Galápagos.
O exemplo de Galápagos é extraordinariamente fundamental e oportuno. Quando precisamos salvar o Planeta, garantindo a nossa própria sobrevivência, nos mostra o quanto a natureza sabe resistir e evoluir. Mas é necessário que os humanos, estes mesmos os maiores destruidores da natureza, decidam auxiliá-la e o façam logo!
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

