Como vimos até aqui um novo processo de desenvolvimento é necessário em nosso Estado, sustentável, em parceria com o meio ambiente, e com inclusão social, que possibilite melhores condições de vida a todos(as).
É preciso coragem e adesão dos governantes e participação da população. Viabilidade existe.
Nesta série de artigos procuramos demonstrar que o RS precisa e pode superar sua condição de perda de posições em desenvolvimento e qualidade de vida no contexto da federação brasileira. Apenas para efeito de análise, também podemos desconsiderar nossa condição em nível nacional, olhando somente para dentro do RS, e veremos as enormes deficiências, especialmente de gestão, em enfrentar nossos problemas, tornando-se a maioria da população cada vez mais pobre em todos os aspectos.
Realçamos as enormes perdas decorrentes das variações climáticas que incidiriam e continuarão incidindo fortemente sobre o RS e que hoje exigem parcela significativa dos recursos e esforços públicos e privados para sua recuperação. Em grande parte, poderiam (e deveriam) ter sido evitados, bastasse estarmos melhor preparados, mesmo ocorrendo alertas e previsões anteriores, que simplesmente foram desconsiderados.
Precisamos inverter a lógica, sabendo que prevenir é o melhor remédio, devemos realizar um novo ciclo de desenvolvimento, sustentável e de inclusão social, recuperando perdas, preparando-nos melhor diante de todas as adversidades climáticas e aumentando em quantidade e qualidade nossas atividades e resultados.
O próprio planeta também exige isto, o que requer renovar nossos modos de produção e de vida. Isto será o mais enriquecedor processo de desenvolvimento.
A começar pela própria gestão. Todo processo de desenvolvimento nunca é efetivado apenas por um governante ou grupo e dirigentes. É preciso envolver todos(as) que serão atingidos, ou seja, no caso, possibilitar a participação direta de toda a população, para que esta defina e escolha suas prioridades, uma vez que nunca é possível ser realizado tudo imediatamente. Este processo deve ter encontros presenciais, bem como possibilitar a participação via digital. Incidir sobre o orçamento público e sobre todas as necessidades do Estado.
Os governantes públicos – tanto o executivo como o legislativo – devem olhar e fazer acontecer todos os itens que compõe este novo ciclo de desenvolvimento ora proposto; não somente o que está no seu orçamento e de sua competência direta. Precisam ter uma relação forte com a União, seja nos temas de responsabilidade compartilhada, como saúde, educação, segurança, transporte estadual e interestadual, ciência e tecnologia e outros, seja na viabilização de uma economia sustentável e de inclusão social. Precisam ter uma interlocução forte e permanente com a sociedade organizada, em especial com a iniciativa privada, promovendo a efetivação do ciclo de desenvolvimento. Os canais de participação direta da população precisam ter seus espaços garantidos permanentemente.
Precisam ter relações permanentes de interlocução e atuação com os municípios, onde a vida ocorre. Ainda é preciso frisar que nem a natureza e nem nossas atividades cotidianas reconhecem divisões municipais, especialmente no enorme bloco metropolitano, os principais problemas são de todo o bloco e para que tenham soluções efetivas requerem ser resolvidas em toda a região. Daí ser fundamental a recriação e valorização da Metroplan.
Outras regiões precisam ter o seu planejamento e execuções efetivadas no seu conjunto. É o caso das bacias hidrográficas, envolvendo todos os rios do Estado, devendo os seus Comitês de Gestão ter condições de funcionamento e cumprir suas atribuições como definir os usos e a recuperação das águas, o que é fundamental para acelerar as atividades da irrigação e de saneamento básico, em especial a proteção contra cheias, entre outras.
As atividades de ciência e tecnologia, em todos os níveis, devem prioritariamente desenvolver estudos e pesquisas apoiadoras e viabilizadoras da melhor forma possível do novo ciclo de desenvolvimento proposto.
Realizar um desenvolvimento justo e inclusivo significa oferecer a todos(as) a possibilidade de participar e usufruir dos resultados.
Realizar um desenvolvimento sustentável vai muito além de possuir uma Secretaria do Meio Ambiente com atividades específicas e de um órgão licenciador. Significa desenvolver atividades de maneira integrada com os recursos naturais. inclusive recuperando aspectos essenciais da natureza.
Nas atividades agropastoris o Plano ABC – Agricultura de Baixo Carbono – é o caminho para produzir mais e melhor. Aproximar a indústria (capaz de operar sem gerar resíduos) destas atividades tem muito a ganhar, seja como agroindústrias, seja para fornecer insumos como adubos, fertilizantes biológicos e equipamentos para produção descentralizada de energia como aerogeradores, placas fotovoltaicas, baterias e biodigestores para produção de biometano.
Vender commodities – matérias primas padronizadas com preço unificado a nível internacional – não é proibido. Porém, um Estado e País que se desejam desenvolvidos não podem ter sua economia muito dependente da venda de commodities; é preciso ter uma industrialização maior. É o caso típico da soja. Porque, ao invés de vender safras inteiras em grãos, não vendemos óleo e farelo de soja?
Como já citamos em artigo anterior, nossa indústria precisa evoluir em áreas estratégicas como o beneficiamento de minérios, maior produção de motores elétricos, baterias, semicondutores e equipamentos eletrônicos, veículos elétricos e outros, o que pode ser feito em parceria com outros países, sem abrir mão de nossa autonomia.
Nesta mesma linha, devemos incentivar a instalação de grandes Data Centers – que armazenam, gerenciam e distribuem imensas quantidades de dados –.
Nas áreas do comércio e serviços igualmente temos potencial para evoluir, especialmente em saúde, informática e outras áreas.
Com nossos imensos recursos naturais e construídos por nosso mosaico imenso de culturas, podemos crescer muito nas atividades fundamentais do turismo. Na medida que for evoluindo a solução de todos os itens citados anteriormente, a atratividade ao turismo cresce. Porém, precisamos de humildade e aprender com os outros estados brasileiros e países latino-americanos. Dizer que somos um estado hospitaleiro é praticamente um deboche. Somos carrancudos e cintura dura! Precisamos todos(as) aprender a receber e conviver de forma atenciosa e gentil com quem nos visita. Faz enorme diferença! Poucos(as) gaúchos(as) conhecem o RS; o povo do RS merece um amplo programa de turismo interno.
E por fim, precisamos falar das tantas obras necessárias e que hoje são muito mal feitas.
Uma obra é sempre uma intervenção, uma “cirurgia” na realidade existente, com a finalidade de atender uma demanda justificada, para melhorar a possibilidade de produção e/ou a qualidade de vida. Inevitavelmente haverá impactos positivos e negativos, estes, em especial referem-se meio ambiente e ao patrimônio histórico, que precisam ser evitados ou devidamente compensados. Não se faz omelete sem quebrar os ovos. Portanto, inevitavelmente há transtornos que também podem ser gerenciados e reduzidos.
O que temos assistido nos anos mais recentes são obras que demoram excessivamente. Isto significa maiores impactos e transtornos e, pior, custos financeiros bem maiores. Obra demorada e, não raro interrompida, sempre gera custos maiores.
Para ganhar tempo, dinheiro e aplausos, cada obra deve investir preliminarmente tempo e dedicação em projetos e planejamentos bem feitos, incluindo a disponibilidade financeira a ser casada com o cronograma físico.
Lembrar ainda que necessário faz-se superar o desleixo (melhor seria dizer irresponsabilidade) com as devidas manutenções das infraestruturas existentes, de qualquer modalidade. Por exemplo, o que adianta você ter um robusto e eficiente sistema de proteção contra cheias se há anos não se realiza as devidas manutenções nas comportas e casas de bombas? O resultado, com prejuízos enormes, é uma inundação evitável em grande parte. Será que aprendemos algo com esta inaceitável ocorrência em maio de 2024?
Em síntese, com projetos e planejamentos bem estudados em todas as suas dimensões previamente, podemos aproveitar melhor os recursos financeiros sempre escassos e realizar mais e melhores obras.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

