O nosso meio ambiente é o planeta Terra que construímos. Assim precisamos pensar, olhar globalmente, somos uma só casa, a casa de todos(as). Entender a realidade global.
E olhando para esta realidade global devemos agir localmente, onde moramos e onde vivemos.
A nossa realidade ambiental e social é tema para tratarmos todos os dias. E devemos dar uma ênfase agora, quando está chegando o Dia do Meio Ambiente, em 05 de junho. A Organização das Nações Unidas (ONU), reagindo como sempre, diante da já significativa degradação ambiental, em 05 de junho de 1972, em Estocolmo, na sua Assembleia Geral da Nações Unidas, aprovou a data como Dia Mundial do Meio Ambiente. Ainda criou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O Brasil, por sua vez, através do Decreto 86.028/1981, criou a Semana Nacional do Meio Ambiente, destinada a atividade de conscientização.
Um outro meio ambiente é necessário. As cidades viraram blocos de concreto geradores de ondas de calor. O solo, em grande parte está coberto por pavimentação que não permite a penetração das águas das chuvas; arroios e rios estão completamente degradados, os veículos à combustão geram um excesso de gases de efeito estufa (GEEs). Este excesso de GEEs retém raios solares além do necessário, sobreaquecendo o planeta. Com mais calor agindo sobre a superfície dos mares e oceanos – 71% da superfície do mundo – há muito mais evaporação de água, que irá provocar chuvas maiores. Também provocará ventos maiores formando desastres de várias modalidades.

No Brasil, há grande degradação dos biomas, em especial da Amazônia, com queimadas e derrubadas de árvores. Este é o principal item brasileiro de geração de GEEs, em mais de 40%. Além disto, a degradação da Amazônia influi também diretamente no seu papel fundamental de formação dos “rios voadores”, que deveriam levar chuvas regulares em várias regiões da América do Sul.
O nosso meio rural também requer mudar o seu ambiente, o seu modo de produzir, é o segundo maior gerador brasileiro de GEEs, acima de 20%.
As decorrências disto nós estamos vivendo com as variações climáticas gerando mortes, doenças, destruições e prejuízos de toda ordem.
Como chegamos a esta situação?
Tomamos como referência o ano de 1850, início da Primeira Revolução Industrial. A indústria é necessária; o problema está nas condições em que foi introduzida. Neste período acelerou-se o desmatamento mundial, com a conversão de florestas em agricultura. Destaque negativo para a Europa onde aumentou o desmatamento de florestas temperadas.
O Brasil ainda possuía a maioria de suas florestas nativas, porém as culturas do café em São Paulo e da cana-de-açúcar no nordeste desflorestaram grandes regiões, inclusive da Mata Atlântica, processo que ainda continua forte em todas as regiões brasileiras, incluindo outras culturas. As culturas agrícolas são necessárias, a questão é como foram e como são realizadas.
Outro ano importante é 1950, após a Segunda Guerra Mundial. A urbanização já estava adiantada em alguns países como a Inglaterra, mas intensificou-se muito nos demais países a partir deste ano. A urbanização também é necessária. Igualmente o problema está nas condições em que ela ocorreu e continua ocorrendo.
Mais uma vez foi às custas da redução de árvores e vegetação em geral. Especialmente aqui no Brasil, a propriedade da terra concentrou-se ainda mais, e o modo de produção agrícola passou a basear-se na indústria mecânica e química, ambos aspectos geraram o êxodo rural, que intensificou o meio urbano, onde as pessoas foram buscar melhores condições de sobrevivência. Já em 1970 a maioria da população brasileira passou a ser urbana. No mundo, no início dos anos 2000, a população urbana passou a ser maioria.
Tendo como referência o ano de 2015, a metade das árvores do planeta já tinha sido derrubada. Não por acaso nosso meio ambiente está como está! Restam três trilhões de unidades de mais de 64.000 espécies, mais de 9.000 espécies ainda a serem identificadas. Porém, até o ano de 2015, a cada ano eram derrubadas 15 bilhões de árvores e repostas 5 bilhões, gerando um saldo negativo de 10 bilhões. A seguir este ritmo, em 300 anos não teremos mais árvores, e podemos concluir: não teremos mais planeta!
A implantação da indústria e o avanço da agricultura deviam ter ocorrido em harmonia com as florestas. A urbanização, idem. Não foram! Agora é preciso reverter o prejuízo.
Antes de soluções estruturais é preciso preparar melhor as cidades para receber os próximos eventos climáticos, seja a nível de defesa civil, seja a nível de manutenção e conclusão de obras. El Niño vem forte, dizem as previsões.
E para recuperar as cidades mais efetivamente, além da universalização o saneamento básico, do reassentamento de áreas e risco e da introdução de veículos elétricos, nada melhor do que ampla arborização.
E por que as árvores são tão importantes?
Podemos destacar esta verdadeira máquina ambiental na obtenção de cidades com clima melhor, menos poluição, que transformam GEEs em fonte de recuperação da natureza, para o bem das cidades e do planeta. Igualmente cumprem este papel no meio agropastoril.
As árvores e outras vegetações podem realizar esta conquista. São necessárias muitas árvores, a ponto do meio urbano e rural conviver com florestas, jardins e muita vegetação. Esta dimensão é necessária para fazer frente à poluição e variação do clima. Apenas a arborização usual não é suficiente para alcançar estes objetivos.
Como estas verdadeiras máquinas ambientais – árvores e vegetações – agem? Para crescer e manter-se necessitam realizar a fotossíntese, retirando da atmosfera GEEs e outros gases poluentes e devolvendo oxigênio, purificando mais o ar. Além dos gases, captam poeiras, fuligem, cinzas e até metais pesados e outros. Assim purificam o ar e impedem que estes poluentes cheguem ao solo.
Captam o enxofre, gás poluente que ataca o sistema respiratório das pessoas e animais, para gerar a clorofila, que captará o calor necessário à fotossíntese. Esta captação do calor e a sombra irão amenizar o clima.
As árvores ainda funcionam como reservatórios de água, captando águas das chuvas, retendo-as no solo através das raízes e armazenando-as nos troncos. Além do seu consumo próprio, as árvores liberam vapor d’água durante as secas, indo beneficiar outras plantas e a formação de nuvens. Desta forma, ajudam a reduzir alagamentos e auxiliam nas secas. Ou seja, atuam no conceito da “cidade esponja”.
O Brasil tem obtido resultados na redução das queimadas e derrubadas. Com o Plano Nacional de Urbanização Urbana (Planau)– exige que todos os municípios tenham planos para implantação de arborização. Temos enormes caminhos a realizar.

Citamos o esforço de vários países que tem feito significativos esforços de reflorestamento.
- China – Tem combatido a desertificação, especialmente o deserto de Gobi, um dos maiores do mundo, implantando a “Grande Muralha Verde”, superando a marca e 2,4 bilhões de árvores por ano;
- Índia – Com 2 bilhões de árvores por ano tem restaurado milhões de hectares;
- Etiópia – Procura reverter décadas de desmatamento e seus prejuízos com grandes mutirões. Em 1 dia chegou a plantar 714 milhões de árvores;
- Rússia – Realiza reflorestamentos em 1,3 milhão de hectares com 85 projetos e centenas de milhões de árvores;
- Canadá – Possui uma meta ambiciosa de alcançar 2 bilhões de árvores até 2031.

Na criação de um novo meio ambiente urbano, não tem como não citar o extraordinário resultado obtido por Medelín/Colômbia, com seus trinta corredores verdes.
Medelín possui 2,5 milhões de habitantes e integra uma região metropolitana de 5,0 milhões de habitantes. Situa-se num vale profundo entre as montanhas da Cordilheira dos Andes, onde o calor e a poluição ficavam retidos, adoecendo e matando pessoas.
A implantação da arborização já estava em andamento, porém em 2016 foram registradas 1971 mortes precoces. A reação foi mudar a cidade, dotando-a de florestas semeadas com sementes de vegetações locais, incluindo frutíferas, que atraem aves e outras animais. Foram implantados 30 corredores verdes em todas as avenidas, ao lado das águas e ampliação de praças e parques.
Hoje, Medelín é premiada internacionalmente como a “Cidade da eterna primavera”, seu povo e o planeta agradecem.
Os prejuízos decorrentes do clima e da poluição em qualquer cidade são enormes, especialmente na saúde e na qualidade de vida. Que tal seguirmos adaptarmos o exemplo de Medelín?

