'Sobre a vida'

Em retrato autobiográfico, documentário homenageia Copan com trilha de KL Jay

Carine Wallauer foi moradora por sete anos do Copan e traz história de quem vive e trabalha no famoso edifício

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divulgação cena de copan
Cena do documentário Copan | Crédito: Divulgação

Uma obra de arte assinada por Oscar Niemeyer, imponente, monumental, com suas curvas, chama a atenção de quem caminha pelo centro de São Paulo (SP). O edifício Copan completa 60 anos em 2026 e vira protagonista de um documentário que conta com a trilha de KL Jay.

O filme “Copan”, que venceu o Festival É Tudo Verdade, retrata a rotina das mais de 5 mil que circulam pelos corredores, entre moradores e trabalhadores do prédio que tem 1.160 apartamentos.

Ao Conversa Bem Viver desta quinta-feira (4), a ex-moradora do Copan Carine Wallauer, idealizadora e diretora do filme, explica que a produção é uma homenagem que traz também muitos elementos autobiográficos. A cineasta conta sobre um personagem bastante complexo e para quem ela também dedicou o filme: Seu Afonso, o síndico do Copan. “Eu aprendi muito sobre a minha própria vida observando o seu Afonso. Ele é uma figura muito complexa. Eu acho que ele dá conta de um retrato da condição humana mesmo. Ninguém é completamente bom, completamente mau; depende muito da situação, de como a relação se estabelece entre um indivíduo e outro. E a participação dele, enquanto síndico, é muito emblemática no prédio. Ele tem essa postura firme, autoritária, muitas vezes, ao mesmo tempo em que, para os funcionários, ele era um pai”, revela.

Wallauer também fala o quanto os funcionários do Copan ajudaram a construir o filme e a ajuda que teve de um porteiro, o Wesley, para chegar até o KL Jay, morador do prédio, de quem ela é fã, para fazer o convite de assinar a trilha sonora do documentário. “A gente teve uma entrevista de mais de duas horas. No fim dessa entrevista, eu perguntei para ele se ele teria interesse em fazer a trilha sonora do filme, porque era um sonho que eu tinha, e ele topou ali mesmo”, lembra.

“É um filme sobre sentimentos, e é uma resposta àquilo que me perguntavam sempre que eu dizia que morava no Copan: ‘Como é morar no Copan?’. Então a minha ideia sempre foi passar uma sensação. Mais do que explicar qualquer coisa, era criar um ambiente, uma experiência imersiva em que fosse possível sentir esse viver no Copan”, conta.

Confira a entrevista completa:

Brasil de Fato: Mas vamos começar do início dessa tua experiência de sete anos como moradora do Copan. Quando tu decidiste que ias fazer um documentário?

Carine Wallauer: Eu já morava no Copan há dois anos, quando a ideia de fazer esse documentário começou a amadurecer em mim. Veio de um processo muito pessoal. Acho que o grande gatilho para eu querer iniciar esse processo foi logo no início da pandemia. Tinha acabado de voltar do Festival de Cinema de Berlim, da Berlinale. Eu estava com um filme lá, no qual trabalhei como diretora de fotografia, e eu voltei doente. Possivelmente Covid, porque foi bem ali no início e o Brasil fechou 10 dias depois que eu voltei. Eu estava realmente muito doente, cheguei no prédio, e eu não tenho família em São Paulo. Então os porteiros ficaram atentos assim e eu não percebi que o meu interfone estava fora do gancho. E aí, passaram uns três, quatro dias em que eu não desci para fazer nada, porque se eu estivesse com Covid, eu não queria passar para ninguém. Eu recebo uma ligação. Essa ligação era do seu Afonso, que era o síndico do Copan. Ele me ligou dizendo: ‘Carine, é o Afonso do Copan, o Zé Roberto, que é o porteiro do seu bloco, me disse que você chegou doente de viagem e não está respondendo o interfone. A gente está muito preocupado com você. Você está viva? A gente quer saber se você está bem. A gente sabe que você não tem família aqui, a gente queria que você contasse com a gente. Então, se precisar de qualquer coisa, de um remédio na farmácia, de um apoio, a gente está aqui”.

E eu parei e pensei: “Gente, mas o síndico do Copan, né, que é cheio de tarefas, ele parou para ligar para uma moradora, para perguntar se ela estava bem? E o porteiro do prédio se preocupou de forma que foi falar com ele. Então, isso para mim foi um retrato da delicadeza, que se dá no trabalho, na rede laboral do Copan. De fato, no meu filme, esse trabalho feito pelo corpo operário do Copan, é o grande foco da minha investigação.

E que retrata bastante dessa dualidade que é o Brasil e, especificamente, São Paulo, de, embora seja uma megalópole, com milhões de pessoas, essa insanidade da correria, que é o Copan, imagina, um prédio 24 horas de alguma forma, mas também tem ternura, assim como em São Paulo tem ternura, respondendo ao Criolo, se existe amor em SP, existe. Existe amor até, inclusive, no Copan, mas também existe muito ódio, muita intriga, que é um dos outros temas-chave do documentário. Inclusive, o seu Afonso Celso Prazeres de Oliveira, que é o nome completo do síndico, com mais de três décadas atuando. Ele que faleceu agora recentemente, me parece que o documentário acaba sendo uma homenagem a ele também. Ele faleceu em 2025 aos 86 anos.

É, então, para mim, eu aprendi muito sobre a minha própria vida observando o seu Afonso. Ele é uma figura muito complexa. Eu acho que ele dá conta de um retrato da condição humana mesmo. Ninguém é completamente bom, completamente mau; depende muito da situação, de como a relação se estabelece entre um indivíduo e outro. E a participação dele, enquanto síndico, é muito emblemática no prédio. Ele tem essa postura firme, autoritária, muitas vezes, ao mesmo tempo em que, para os funcionários, ele era um pai. Ele incentivava. A gente tem um personagem do filme que é um pintor predial. Ele pinta, faz reparos no Copan, ao mesmo tempo em que tem uma carreira como artista plástico. O ateliê dele está na garagem do Copan, e quem o incentivou desde o começo, pagando os primeiros cursos de pintura para ele, foi o seu Afonso. A gente tem um outro funcionário da portaria que é veio da da região periférica de São Paulo, não tinha cogitado a possibilidade de fazer uma graduação e estando no Copan, ele se apaixonou por engenharia ao observar as formas do Copan. O seu Afonso apoiou-o nos estudos. Hoje ele é formado em engenharia e trabalha no Copan como engenheiro. Então, assim, essa figura do seu Afonso é muito complexa. Eu tentei ser o mais justa possível no documentário, trazendo toda a ambiguidade, sabe assim, todos os contrastes desse ser humano tão ímpar.

Nossa, que complexo. Bonito ouvir tudo isso, porque o documentário, embora seja de uma maneira, era muito pessoal, porque realmente pega retratos íntimos, as pessoas conversando com muita espontaneidade. Ele é diferente do padrão, porque ele não tem uma narração, tem ali o lettering, que fala que são aquelas as letras que aparecem no vídeo, só no início ali para explicar que tem esse tom, digamos, autobiográfico, mas ele também tem essa característica de ser impessoal. A pessoa vai interpretando o filme a cada momento. Mas para entender um pouquinho mais, afinal o que é que a Carine quis explicar, quis apresentar esse personagem para gente? E explica um pouquinho mais também sobre essa loucura de ser um prédio 24 horas, mais de cem funcionários. Não é exagero dizer que é uma empresa que tem todo um esquema, uma escala complexa mesmo?

É, existe uma dinâmica de poder muito clara, né? Dentro do Copan. É impossível você administrar uma estrutura desse tamanho sem ter um sistema implantado. O seu Afonso, ele entra como essa figura dentro de uma hierarquia ali com um poder bastante grande. E é um poder que é questionado frequentemente pelos moradores. Na reunião de síndico, a gente tem o ápice dessa discussão. Ao mesmo tempo em que ele tem esse viés autoritário, ele é uma pessoa muito terna. Tudo que ele fez pelo Copan foi baseado no amor mesmo. Ele era um grande apaixonado. Ele cuidou desse prédio tanto quanto pôde. Ele apoiava ideias que para ele se relacionavam com o ponto de vista de homenagear constantemente esse lugar, de preservar a sua memória. Infelizmente ele faleceu sem ter conseguido finalizar alguns planos que ele tinha, por exemplo, de fazer é um museu no Copan. Então, eu espero que esse legado, que os desejos dele ainda permeiem a nova administração.

E imagino que ele deve ter conhecido o Oscar Niemeyer, né?

Sim, inclusive na sala dele tinha foto dos dois juntos. Ele era, de fato, um grande apaixonado. Ele morava no Copan desde os anos 1960. O seu Afonso, ele estava lá na história inteira do Copan. E eu achei sempre que era impossível contar a história do Copan sem contar um pouquinho também sobre ele. E, infelizmente, ele não conseguiu assistir ao filme. Ele faleceu sem ter visto o filme. Apesar de esse filme ter sido possível pela confiança que ele teve em mim e na minha equipe. Ele permitiu que a gente frequentasse espaços, do Copan, que nem os próprios moradores frequentam, espaços exclusivos de uso dos funcionários. As ideias mais malucas que eu tive, ele sempre apoiou e deu abertura. Então, assim, é, eu só tenho a agradecer de fato a confiança que especialmente ele e os funcionários do Copan me trouxeram. Muitas das cenas do filme foram proposições, que vieram a partir de informações que os funcionários me traziam. Então, foi um trabalho colaborativo nesse lugar, assim.

Bom, e fala um pouquinho mais sobre essa reunião de condomínio, né? Porque imagino que também deve ter sido uma delicadeza ele autorizar que tu filmasse. Era durante a pandemia, então era aquele momento online das reuniões intermináveis online que viraram pouco padrão, mas, ao mesmo tempo, naquele momento, era indiscutivelmente a única opção, aquela história de “abre o teu microfone”, microfone fechado” Como foi o processo de filmar na reunião de condomínio?

Bom, na verdade eu não pedi autorização, eu filmei como moradora. Eu tinha acesso e pude participar por conta disso. Eu não sabia o que esperar. No fim foram 9 horas de reunião de condomínio. A polícia foi chamada, foi um grande barraco, foi uma grande loucura. Tudo aconteceu nessas 9 horas. E, como documentarista, muitas vezes a gente faz apostas. Segue a intuição. Eu tinha uma intuição de que essa reunião de condomínio ia render. E aí eu estava em casa. Pandemia, eu pedi para mais duas amigas filmarem. O computador das duas pifou. Não deu conta de segurar as 9 horas de reunião e foi um grande desafio também condensar essa história para fazê-la caber no filme de uma forma que fizesse jus à complexidade que foi esse momento. E aliar essa reunião de síndico com as eleições de 2022.

É, eu ia te trazer justamente isso, que, além de tudo, tu ainda estavas filmando durante aquele 2022, um dos anos mais emblemáticos até aquele momento. E agora estamos em 2026, de volta, mas, enfim, aquele momento era realmente de muita angústia. Porque a gente tinha ali o ex-presidente, agora condenado, Jair Bolsonaro, e o Lula voltando e questionando qual era a força que tinha. Aquilo dominou completamente, eu imagino, os corredores, como aparece no filme, mas principalmente a reunião de condomínio, né?

É, foi muito intenso captar a eleição de dentro do Copan. As pessoas têm uma imagem muito utópica do que do que acontece de fato ali. Se tem assim uma ideia de que é um prédio completamente de esquerda,. Que todo que tem uma diversidade, que essa diversidade é respeitada. Sim, há uma diversidade, mas é isso, Nessa diversidade também comportam pessoas da direita e da extrema direita. E é interessante observar como, nesse espaço pequeno, essas pessoas conseguem expressar as suas crenças, as suas preferências políticas e o quanto isso interfere na relação interpessoal condominial. Como coabitam esse espaço tendo ideias tão diferentes e se respeitando? Então, o filme tenta trazer um pouquinho de cada possibilidade de existência dentro desse campo de disputa política a partir do Copan.

E, apesar de eu claramente ser uma pessoa de esquerda, a minha vida inteira sempre votei na esquerda. Essa minha visão de mundo e o modo como eu me coloco socialmente. Eu procuro sempre ouvir pessoas que pensam diferente de mim. Para entender também como me comunicar com essas pessoas em um lugar de troca e não de superioridade. Então tem cenas emblemáticas no filme que dão conta disso também. Eu acho importante a esquerda fazer suas autocríticas. No filme, tem cenas que mostram bastante também essa problemática de que não há um lado perfeito. Eu acho que a gente precisa trabalhar principalmente a base. Ele é um filme que fala muito de questões sociais. Eu venho de uma família da classe trabalhadora do serviço. Minha mãe é empregada doméstica até hoje. O meu pai faleceu recentemente e a última profissão dele foi motorista de Uber, mas ele tinha sido açougueiro, vendedor, mil coisas.

Eu sempre falo que eu tinha uma certa tristeza assim, porque é quando você presta serviço. Eu mesma trabalhei em shopping por sete anos, as pessoas não perguntam o que você pensa sobre política, o que você pensa sobre a sociedade. E, quando eu me transformei em artista, minha carreira cresceu e eu cheguei a um estado onde as pessoas me viam como artista, minha opinião começou a ser importante. Nesse filme, as opiniões mais importantes para mim são as das pessoas que prestam serviço no Copan. Eles aparecem discutindo política, eles aparecem como artistas, se expressando. Então é uma homenagem também à classe trabalhadora, que tem uma subjetividade incrível e que tem que ser observada. Tem que ser trazida para o nosso convívio social.

E, sem dúvida, também vai ser impactada favoravelmente com o fim da escala 6×1 em discussão nesse momento.

Com toda certeza, com toda certeza. É, e no Copan tem uma questão que, para mim, particularmente é importante de ser discutida, que é o aumento do número de Airbnbs Porque isso afeta a vida de quem mora, mas afeta muito a vida de quem trabalha. Hoje o Copan tem mais de 200 apartamentos na plataforma do Airbnb, e esses funcionários trabalham indiretamente para o Airbnb sem serem remunerados.

Uma coisa é a dinâmica de trabalho de um condomínio. Existe ali o que se espera desse trabalho num fluxo de moradores. Agora, quando você tem um fluxo gigante de entrada e saída, sobrecarrega o trabalhador. Então, acho importante, quando a gente fala de escala de trabalho, também pensar em como se dá a condição do trabalhador nesse lugar, né? Especialmente num condomínio como o Copan.

Que se transformou em alguma medida em um hotel, né? Isso é perceptível para os moradores. E tu, que viveste 7 anos lá?

Com toda certeza, inclusive eu saí do Copan porque o apartamento que eu alugava foi vendido para se transformar em um Airbnb. E eu era uma das poucas moradoras daquele andar. Era um andar alto no bloco B, que é o bloco onde majoritariamente se concentram os Airbnbs do Copan. Afetava muito a nossa vida por conta de uma série de inseguranças, esse fluxo de pessoas que você desconhece, tem uma falta de respeito das pessoas. Fazem muito mais barulho, porque, quando você tem vizinhos fixos, você tem uma tendência a respeitá-los mais, porque você se importa com a convivência coletiva. Você não quer invadir o espaço do outro porque não invadam o seu. Quando você está num esquema de Airbnb, é uma impessoalidade gigantesca. Você nem pensa que existe alguém que mora, que pode estar passando por questões pessoais; não há esse pensamento direto. Então, afeta demais a vida de quem mora lá, com toda certeza.

Sem contar na especulação imobiliária que se gera, porque, a partir do momento em que aquilo se transforma em um aluguel para Airbnb, que é curta temporada, necessariamente já eleva o preço, sendo uma plataforma gringa, que é elitizada.

É, hoje você não encontra no Copão uma kitnet por menos de R$ 500 mil. E eu tô falando de 29 m². Então, essa foi a oferta que eu recebi para comprar o apartamento, que, obviamente, eu não tive condições. Isso foi há dois anos, então eu imagino que talvez hoje esteja ainda mais caro, porque é mais raro encontrar apartamentos disponíveis nos andares altos. Você pensa: 200 apartamentos transformados em Airbnb. Isso dá o tamanho de um, de muitos hotéis da cidade.

E caminhando para encerrar a entrevista, fiquei com uma curiosidade. A gente estava falando da escala 6×1 e de toda essa figura complexa e emblemática, que é o seu Afonso. Como você acha que ele estaria reagindo à aprovação da escala 6×1?

É assim: o seu Afonso tinha uma visão bastante conservadora. Da vida e da de como o prédio deveria ser gerenciado. Difícil falar por ele, mas não sei se ele concordaria com essa mudança.

Ele era abertamente bolsonarista?

Acho que ele não era abertamente, mas ele era uma pessoa bastante conservadora. Acredito que ele tenderia para uma direita um pouco mais extrema, mas eu não tenho como comprovar; a gente nunca teve essa abertura de diálogo, não que eu não tenha tentado.

Entendi. E agora queria comentar um pouquinho da presença do KL Jay no filme, né? Conta como foi isso.

Desde os primeiros rascunhos da minha escrita, assim, sobre esse filme, eu já imaginava que ele faria trilha sonora, né? Ele mora no Copan e a gente se cruzava nos corredores. Eu, como fã, tinha esse desejo de que ele participasse do filme, mas é sempre muito difícil você acessar pessoas como ele. Uma pessoa bastante famosa e reservada.

E a gente tentou via assessoria, via algumas vezes, sem resposta, e quem de fato fez com que essa parceria acontecesse foram os funcionários do Copan. Eu pedi ajuda aos porteiros e falei: “Gente, eu preciso muito falar com o KL Jay, como eu faço? Em que bloco ele mora?”. O Wesley, que é um dos porteiros do bloco que eu morava, falou assim: “Carine, deixa comigo”.

Aí passou ali um dois meses e eu recebo um áudio do KL Jay, me falando: “O Wesley entrou em contato comigo me falou da sua ideia, disse que você era uma pessoa legal, eu topo participar do seu filme, vamos conversar”. Aí a gente marcou uma entrevista. A gente teve uma entrevista bastante longa, isso é importante falar que mesmo no filme não tendo entrevistas, eu entrevistei todas as pessoas que estão no filme, porque eu queria criar uma intimidade com elas, eu queria conhecê-las para que a gente pudesse de fato construir algo juntos, com profundidade. Então, com o KL Jay não foi diferente. A gente teve uma entrevista de mais de duas horas. E no fim dessa entrevista, eu perguntei para ele se ele teria interesse em fazer trilha sonora do filme, porque era um sonho que eu tinha e ele topou ali mesmo. E a partir dali a gente começou a trocar, né?

A gente tomava café, conversava, começou a pensar como seria essa trilha e foi mais de um ano de trabalho de construção coletiva e definitivamente a trilha dele contribui para a atmosfera que eu sonhei em criar de uma forma muito singular.

Então, deixa eu falar aqui um puxar um pouco a brasa para o nosso lado, porque a gente está debutando com um novo programa aqui na Rádio Brasil de Fato que se chama Estúdio 98, duas horas de discotecagem com o KL Jay, todas as quintas, das 8h às 10h da noite.

Ele é muito generoso, ele, de fato. Assim, eu agradeço muito a confiança que ele teve em mim. Esse é o primeiro longa-metragem. Eu tenho uma carreira já de muitos anos como artista visual e diretora de fotografia para outros cineastas, mas é meu primeiro filme como diretora, então contar com a confiança dele no meu trabalho e a parceria que a gente desenvolveu, realmente sou muito grata. Ouça o programa dele.

Ótimo. Eu queria te ouvir se tem referência esse documentário com o famoso Edifício Master do Eduardo Coutinho, talvez o maior documentarista do Brasil.

É, eu admiro muito o Coutinho; ele é uma grande inspiração para qualquer documentarista, que estude a história do cinema, mas eu tenho uma abordagem diferenteque eu gosto enquanto linguagem no cinema. Então, por exemplo, no meu filme não tem entrevistas. Eu preferi trazer um pouco mais da subjetividade a partir da observação. Eu tenho uma crença, é o modo como eu vivo minha vida, de que o real não é só aquilo que a gente toca e vê, mas é também aquilo que a gente sonha, aquilo que a gente sente. Se eu sinto seu sonho, seu desejo, seu eu realizo, isso também faz parte do campo da verdade. Então, o filme tem muito de uma espiritualidade, de uma subjetividade que vai além da palavra ou além daquilo que é possível ver. É um filme sobre sentimentos. É uma resposta àquilo que me perguntavam sempre que eu dizia que morava no Copan. Como é morar no Copan? A minha ideia sempre foi passar uma sensação. Então, mais do que explicar qualquer coisa, era criar um ambiente, uma experiência imersiva em que fosse possível sentir esse viver no Copan.

Que bonito. E agora, assim, para fechar, é o edifício mais bonito do Brasil ou não?

Ah, eu sou suspeita para falar, mas eu acho que sim. O sinônimo é beleza, mas é uma imponência. Ele brilha. No filme, a gente tem alguns planos da cidade, em que o Copan se mostra realmente como algo magnético. É impossível não olhar para ele. Então, não sei se é o mais bonito, mas talvez o mais vibrante.

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.

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Editado por: Luís Indriunas

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