Música

‘Comecei a me observar com mais amor’, diz Roberta Campos sobre diagnóstico de TDAH

No recente trabalho Coisas de Viver a Dois, Roberta conta com participações de peso como Zeca Baleiro e Elba Ramalho

Roberta Campos - Coisas de Viver
Roberta Campos – Coisas de Viver | Crédito: Lucas Seixas

“Eu nunca me achei burra, e nunca achei que tinha dificuldade, mas eu achava que era diferente a minha forma de aprender as coisas e de entender também”. A declaração foi feita pela cantora e compositora Roberta Campos, ao comentar o diagnóstico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato.

A compositora, que recém lançou o álbum Coisas de Viver a Dois, revelou que saber da condição de TDAH a fez se olhar para si mesma com mais amor. “Eu comentei com o meu psicólogo, que me indicou uma psiquiatra que me deu diagnóstico de que eu sou TDAH. E isso mudou a minha vida. Eu comecei a me observar com mais amor, e entender que, às vezes, o que eu tinha era uma dificuldade e não era nada de ruim, ou até mesmo o fato de dormir ao assistir a um filme”, conta.

Roberta Campos, conhecida como Hitmaker, falou também sobre o seu mais novo trabalho, o Coisas de Viver a Dois, em que ela conta com parcerias bem diversas, desde grandes nomes da MPB, como Elba Ramalho e Zeca Baleiro, até artistas mais recentes da música brasileira, como Catto e Tuyo.

“Esse disco eu chamei pessoas que eu tenho uma relação de tocar junto, de fazer música, já tinha amizade. Eu sempre gosto de me juntar com pessoas com quem eu tenho afinidade, uma relação legal. E, para esse álbum, foi dessa forma”, comenta Roberta.

Ela descreve este trabalho como mais introspectivo, em que ela trata de temas como traumas, resiliência, cura e amor-próprio. Roberta diz ainda que nunca se regulou pelo mercado fonográfico para desenvolver um trabalho. “A forma como está o mercado, eu poderia nem ter feito o disco e ficar soltando singles. Mas eu ainda mantenho essa vontade, porque eu tenho uma história para contar”, afirma a artista.

Mesmo com uma maior presença no mercado musical no último ano, o Relatório Mulheres na Música, publicado pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), em 2026, aponta que, entre os 100 autores com maior rendimento em 2025, apenas 2% são mulheres. O que representa uma queda em relação aos anos anteriores, quando registrava 5% em 2024 e 6% em 2023.

Roberta ressalta que ainda é um cenário muito difícil para as mulheres, mesmo ao lidar com quem trabalha no universo da música. “De às vezes ir passar o som e, em muitas situações, ao solicitar o técnico de som, iluminador do lugar, era meio que pedir ‘pelo amor de Deus’ para o cara te assistir ali e fazer as coisas que você está pedindo. E é engraçado que, depois que toco, às vezes não tinha associado com a música, mas aí muda um pouco a forma de tratar”, relata a artista.

Para Roberta, o caminho para combater essa situação de machismo é a união das mulheres. “Eu acho que quem tinha que mudar isso, começar a fazer uma mudança mesmo, é a própria mulher, porque a gente não é tão unida quanto os homens são unidos”, aponta.

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Editado por: Rodrigo Gomes

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