A 28ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo acontece entre os dias 4 e 13 de setembro de 2026, na capital paulista. Na programação, está o Sarau Flores da Batalha, com a presença do poeta Sérgio Vaz, fundador da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia).
Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, Sérgio explica que foi convidado pela organização do evento para realizar um sarau. “O Cafu, que trabalha lá nessa organização, me convidou e eu falei assim: ‘Eu quero levar essas pessoas com quem eu ando, que eu admiro, pessoas que não estão no hype, mas estão na periferia fazendo um trabalho de literatura muito bonito’.”
O poeta lançará, durante a programação da Bienal, o seu primeiro livro infantojuvenil, intitulado “Coração de criança não morre” (Global Editora). O poeta diz que sua intenção era escrever uma publicação atrativa para quem não tem o hábito da leitura.
“Eu escrevi esse livro para que ele fosse o primeiro livro de muita gente da quebrada, com espaços, com uma letra maior, que fosse rápido, que fosse fluido. Quero que, na quebrada, alguém diga: ‘O meu primeiro livro foi o desse cara aqui que mora na minha quebrada'”, diz Vaz.
Sérgio Vaz diz que a Cooperifa — movimento cultural e literário da periferia nascido no ano 2000 –se encontra num período de pausa “sabático e domingático”, para poder se reinventar. Ele destaca que o movimento já deixou um impacto importante nas comunidades mais marginalizadas da cidade.
“Eu acho que o grande legado da Cooperifa foi criar artistas cidadãos. Aquele que, na sua arte, pode não revolucionar o mundo, mas também não imbeciliza um povo desprovido de oportunidades. [Esse legado] veio a reboque do hip-hop, da luta do movimento negro, e a gente entendeu que o negócio não é mudar da periferia, é mudar a periferia”, reflete.
Ao comentar o processo eleitoral, o escritor ressalta o poder do voto. “Votar é fazer justiça com as próprias mãos, é o que o povo pode fazer. Esses corruptos, esses vagabundos, esses caras que usurpam os nossos direitos há 500 anos, a única chance que a gente tem de se vingar é na hora do voto. Não é tudo, mas é alguma coisa”.
O poeta ainda destaca que tenta colaborar na reflexão do voto com sua escrita. “Sair de casa para voltar, dá uma olhada na sua quebrada. Olha lá o que você tem e o que você não tem. Só isso já te motiva a não votar nesses caras. Olha o show de horrores que é o congresso hoje. A extrema direita dando aqueles vexames”, comenta.
Conversa Bem Viver

A sintonia da Rádio Brasil de Fato é 98,9 FM na Grande São Paulo.
Assim como os demais programas da Rádio Brasil de Fato, você pode ter acesso a esse conteúdo com antecedência para reproduzir gratuitamente na sua rádio. Acesse este formulário e faça sua inscrição.
São dezenas de rádios que fazem parte desta corrente!
