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‘Debate eleitoral sumiu do mapa’: Paulo Motoryn comenta ascensão de Augusto Cury e disputa no STF

Paulo Motoryn detalha investigação que fez sobre crescimento acelerado e repentino de Augusto Cury nas pesquisas

Sao Paulo, SP. 23.08.2026 - Presidential Debate - Candidate Augusto Cury (Avante) during the first debate of the presidential election race, promoted by TV Bandeirantes, at the station's headquarters in the southern zone of Sao Paulo, this Sunday, August 23, 2026.(Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Brazil Photo Press) INTERNATIONAL (Photo by Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP)
Augusto Cury durante debate presidencial na Band | Crédito: Crédito: MARINA UEZIMA / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente, o psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) é o candidato outsider da vez. O impulsionamento aconteceu de forma mais incisiva após sua participação no debate promovido pela Band. Com apoio de influenciadores digitais e forte discurso antipolítica, Cury se coloca como terceira via em um país dividido.

Ao BdF Entrevista, o jornalista Paulo Motoryn, autor da newsletter Noites Húngaras, analisa as razões que levaram Cury a ter o crescimento expressivo, desbancando políticos conhecidos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O jornalista afirma que as eleições deste ano vão acontecer sob três riscos: a ingerência do governo Donald Trump, a interferência do poder Judiciário e a influência das big techs.

“Nos últimos anos a gente viu os algoritmos das big techs favorecerem candidatos que se autointitulam antissistema, outsiders, mas, na verdade, eu gosto de dizer que a aliança das big techs é com a extrema direita”, pontua. “Nesse caso do Cury, essa falta de transparência, essa opacidade nos algoritmos me levou a tentar lançar um olhar sobre isso. Mas preciso ser sincero que essa investigação sobre alguma possível fraude na ascensão de Augusto Cury não foi identificada de imediato”, continua sobre sua investigação.

Motoryn conta que, na reportagem que publicou sobre o tema, procurou observar o discurso de três influenciadores que declaravam voto em Cury: Nego do Borel, Yuri Meirelles e Rafael Soares. Havia semelhanças e até palavras idênticas nas falas. “Discursos muito similares feitos por influenciadores diferentes levantam a possibilidade de que isso tenha sido proposto por alguma agência de publicidade”, aponta.

Outro fator que chamou a atenção foi o forte teor “antipolítica” nos discursos, que, como lembra Motoryn, não é algo novo. “A negação da política, a figura do outsider, a corrupção dominando o debate público é um fenômeno muito antigo no Brasil. Vem, no mínimo, desde a década de 1950 com Carlos Lacerda. É um pouco do discurso que leva ao golpe militar de 1964, é muito do discurso que leva à eleição do Fernando Collor em 1989, mesma coisa com Jair Bolsonaro em 2018”, afirma.

O jornalista pondera que o atual cenário da política brasileira, mais do que polarizado, está radicalizado. “A gente vê uma radicalização da extrema direita, que passou a apostar em métodos e discursos autoritários para disputar o poder. Acho que a polarização, a divisão, a luta de classe sempre existiu, mas entendo que a polarização se referiria mais ao fenômeno de dois polos simétricos. E não é exatamente isso que eu vejo”, pontua.

Confira a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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