VENEZUELA

Conheça mitos e realidades sobre o abastecimento de produtos e alimentos na Venezuela

Afetado pela crise, país conseguiu se organizar para vencer boicotes nacionais e internacionais e alimentar seu povo

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Cesta básica distribuída pelos Comitês Locais de Abastecimento e Produção / Reprodução




Desde 2013, a Venezuela passa por uma crise econômica, causada pela baixa do barril do petróleo, que representa 85% das exportações do país, e também por boicotes nacionais e bloqueios internacionais. Diante disso, a mídia hegemônica pinta um cenário de escassez e fome no país. Mas será essa a realidade?

De fato, no ponto mais agudo da crise, houve falta de muitos ítens, ocasionada em parte por conta do setor empresarial que deixou de importar alimentos que não são produzidos no país. Mas, hoje em dia, a realidade é outra e nos supermercados e feiras não falta mais quase nenhum produto.

“O nível de abastecimento está muito melhor do que estava no momento auge dessa crise, que foi em 2015. O problema atualmente são os preços. Isso quer dizer que uma cartela de ovos, um quilo de carne e um quilo de queijo custam basicamente um terço ou a metade do salário mínimo dos venezuelanos”, explica o jornalista Bruno Sgarzini, do site Misión Verdad.

Comitês de abastecimento

Aprendendo a lidar com a crise, o governo venezuelano elaborou mecanismos para combater a falta e a fome em seu país. Surgiram os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), que garantem a distribuição das Cestas Clap, uma cesta básica entregue todo mês para 4 milhões de famílias.

“As cestas CLAP são caixas que vêm com uma série de produtos, diversos alimentos, que são complementares para as famílias. Com essa caixa, no bairro, atendemos 263 famílias, são mais ou menos 600 pessoas”, descreve Jesús García, líder comunitário do bairro La Pastora, que acrescenta ainda que os comitês são auto-organizados pela população de cada localidade.

“O CLAP é uma organização de caráter comunitário, de pessoas que acreditam no processo revolucionário, no processo bolivariano, e que se organizam em um território determinado para atender a uma conjuntura bastante difícil para a Venezuela, que é o tema da distribuição de alimentos. Alimentos esses que são fornecidos pelo governo, com aquilo o governo consegue, no meio de uma guerra, trazer para o povo venezuelano”, afirma García.

Crise para quem?

Enquanto as classes populares se organizam para lutar por sua sobrevivência, há uma outra realidade convenientemente escondida pela grande mídia: as classes privilegiadas, aquelas que mais se opõe politicamente ao atual governo, seguem com um alto poder de consumo e vivendo sua vida em relativa normalidade.

“As cervejarias, os restaurantes, os negócios de gastronomia etc. Estão todos cheios. Existem filas para entrar nas boates aqui em Las Mercedes [distrito abastado de Caracas]. Evidente que não é igual há cinco anos, mas hoje em dia as pessoas continuam gastando. Na temporada de férias, milhares de pessoas viajam para as praias de turismo, vão aos lugares turísticos daqui”, explicita o empresário Agustin Otxotorena.

Ao contrário do que muitos acreditam, influenciados por interesses tendenciosos dos donos da mídia, o cenário da Venezuela não é o de uma crise humanitária. Há classes sociais em situação de vulnerabilidade, mas nada que a maioria dos países latino-americanos não conheça. A desigualdade, mesmo que combatida pelos governos bolivarianos, ainda persiste.

“Como em todos os países, aqui se convive com duas classes, uma que está passando mal e outra que tem dinheiro é suficiente para viver e até para fazer turismo”, conclui Otxtotorena.

Confira a cobertura completa das eleições do Brasil de Fato direto da Venezuela.

 

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira