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Qual a atual situação política e econômica da Argentina?

O argentino Leandro Morgenfeld, historiador e professor da Universidad de Buenos Aires, responde a questão

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Presidente da Argentina, Mauricio Macri, em visita ao Senado Federal brasileiro / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Atualmente, a Argentina sofre com o aumento da pobreza, do desemprego e o crescimento da inflação. O peso argentino passa por  desvalorização frente ao dólar e já perdeu metade de seu valor. Em junho, Mauricio Macri, presidente do país, firmou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para o empréstimo de US$ 50 bilhões. Este é o maior recurso já negociado pela Argentina com o FMI. 

Na edição desta semana, Maira Carnevali, de Santa Catarina, quer entender o que está acontecendo no país vizinho.

"Oi, meu nome é Maira Carnevali, sou de Santa Catarina, gostaria de saber um pouco mais sobre a situação política e econômica da Argentina."

Leandro Morgenfeld, historiador e professor da Universidad de Buenos Aires: "Oi Maira, como vai? Obrigado pela sua pergunta. A economia da Argentina vai cair 2,5% neste ano, temos uma inflação que vai chegar a até 45% e o dólar, que tinha uma cotação de 19 pesos no início do ano, já ultrapassou os 40 pesos. Há uma desvalorização da nossa moeda de mais de 100%,o que gera um aumento da pobreza e uma queda ainda maior da economia no próximo ano, segundo os analistas. É uma situação econômica e social ruim para a Argentina. É a pior crise econômica desde a crise dos anos 2000 e 2002, quando também havia uma instabilidade política.

A situação política é incerta e bem complexa. O governo de Macri tinha a expectativa de ser reeleito sem problemas no próximo ano e agora a discussão é se Macri vai poder chegar até o final de seu mandato, que é em dezembro do próximo ano. Ele (Macri) tem uma situação política e econômica complicada para estabilizar, o que dificulta uma reeleição no próximo ano. A oposição tem muita expectativa de poder derrotar o governo neoliberal de Macri, por isso há uma expectativa no que está acontecendo no Brasil. Depois das eleições no México, com a vitória do López Obrador (AMLO - centro esquerda), e se o candidato Bolsonaro for derrotado, isso significaria que temos um contexto político na região de recessão dos governos de direita, dos governos neoliberais.

Na Argentina temos uma previsão de resistência e de luta contra esses governos e contra suas políticas econômicas, porque o FMI tem uma péssima imagem no país. O acordo firmado produziu uma imagem negativa do presidente Macri, que está em queda nos últimos nove meses.  Temos expectativa de mudança política no próximo ano."

 

Edição: Guilherme Henrique