Resgate

Para lembrar a história dos negros

Curitiba teve lavação de escadarias da igreja do Rosário por tolerância religiosa e resgate da história da formação

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Homenagem também foi à Nossa Senhora do Rosário, no sincretismo, Oxum, dona da fertilidade e da riqueza. / Giorgia Prates

Entre as atividades da Consciência Negra, comemorada no dia 20 de novembro, Curitiba teve a lavação das escadarias da igreja do Rosário, ”um apelo pelo respeito às diversas religiosidades, além de uma luta para restaurar a memória, a valorização e o pertencimento do povo negro e das religiosidades de matrizes africanas”, diz Melissa da Silva, do centro Cultural Humaitá, uma das entidades organizadoras.  

Parte dessa história, como lembra, é apagada cotidianamente, o que pode ser comprovado no próprio nome da igreja.  Antes, Igreja do Rosário dos Pretos de São Benedito, teve seu nome alterado ao passar para ordens jesuítas.  O que ajuda a esconder a participação dos pretos na construção da segunda igreja mais antiga de Curitiba. 

E também ocorre na própria participação dos negros na história da fundação da cidade. Eles foram trazidos desde o início para trabalhar como faiscadores, nome que se dava aos garimpeiros, por conta da experiência que tinham em seus países de origem.   

“Era uma mão de obra especializada, no ciclo do ouro, porque na África o garimpo era desenvolvido há séculos, relata Melissa.” Ela diz que uma das formas de a história oficial desvalorizar a participação dos negros é tratar todos apenas como “escravos”. “Assim se nega sua humanidade, ao não dar seu nome, sua procedência, sua identidade.” 

Nossa Senhora do Rosário 

As celebrações também foram em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, protetora dos dançarinos, artistas e preservadores da cultura popular. A santa também representa, no sincretismo, Oxum, dona da fertilidade e da riqueza.  

Edição: Laís Melo