Mobilizações

Protestos contra a Vale marcam o 7° dia do crime de Brumadinho

Organizadas pela Frente Brasil Popular, manifestações e ocupações acontecem em cinco estados do país

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Ação em Governador Valadares; movimentos ocuparam uma base da empresa e fecharam os trilhos e a entrada do complexo. / MST

Em solidariedade às vítimas do crime ambiental de Brumadinho, integrantes da Frente Brasil Popular realizam manifestações em todo o Brasil nesta quinta-feira (31). Em Mariana (MG), a sede da Renova, entidade criada pela mineradora para administrar o processo de reparação às famílias vítimas da barragem de Fundão, foi ocupada.

:: Minuto a minuto: Acompanhe a cobertura sobre o rompimento da barragem em Brumadinho (MG) ::

Na cidade de Governador Valadares (MG), cerca de 250 pessoas ocuparam uma base da empresa e prometem permanecer no local até o final do dia. Informações recentes enviadas pelos envolvidos na manifestação noticiam a chegada da polícia e a ameça de desocupação forçada.

“A gente chegou aqui às 7h, fechamos os trilhos e a entrada do complexo e convocamos a população para se somar conosco no ato”, disse a educadora Edilene Cenourinha. “A ideia da polícia é nos retirar, e o nosso posicionamento é de que vamos prestar nosso ato de solidariedade, fazer nossa vigília, manifestar nossa indignação e nossa solidariedade às famílias de Brumadinho”.

Os manifestantes de Governador Valadares também denunciam que a polícia se baseia em um interdito proibitório – mecanismo judicial de prevenção contra protestos e ocupações –, datado de 6 de novembro do ano passado. Isso quer dizer que já naquele momento a Vale sabia que novos desastres poderiam acontecer, e portanto decidiu se proteger contra a reação da população e movimentos populares.

No início da tarde, cerca de 300 manifestantes da Frente Brasil Popular paralisaram os trens e caminhões na cidade de Brumadinho. Segundo os manifestantes, os veículos continuam levando o minério da região mesmo com o rompimento da barragem. 

As Secretarias de Estado de Saúde (SES); de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA) comunicaram que a água do Rio Paraopeba já apresenta riscos à saúde humana e animal e está contaminada até o município de Pará de Minas. A nota alerta ainda que as pessoas devem se afastar no mínimo por 100 metros das margens. Segundo outras denúncias feitas na rádio Itatiaia pela manhã, o rejeito também deve conter Césio, substância altamente radioativa.

Moradores de São Joaquim de Bicas (MG) também fizeram um protesto no complexo mineração Serra Azul, da mineradora MMX.

Segundo Edilene, os protestos contra a Vale serve para mostrar a indignação dos afetados e expor a falta de punição aos responsáveis. “Primeiro, a impunidade da Vale. Eles falam em número de mortos e de desaparecidos, mas as famílias dizem que [os números] são muito maiores do que eles falam. Nós pedimos também uma resposta rápida com relação a isso. [Queremos] justiça já!"

Em Belo Horizonte, está convocado ato para as 17h de hoje em frente ao Memorial da Vale, na Praça da Liberdade. No dia do desastre em Brumadinho, a empresa anunciou o interrompimento das atividades do museu até o dia 4 de fevereiro. Por conta do crime socioambiental promovido pela Vale, 18 artistas que expunham no Memorial decidiram retirar suas obras do espaço.

Além de Minas Gerais, estão previstos atos nos estados de Rio Grande do Sul, Ceará, Pará e Rio de Janeiro nesta quinta, que marca o 7º dia do crime.

O último balanço do corpo de bombeiros aponta 99 mortes confirmadas, sendo que 57 corpos já foram identificados. Há ainda 259 pessoas desaparecidas.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque