Resistência

Vigília Lula Livre completa 300 dias e escancara arbitrariedades do Poder Judiciário

Ex-ministro Aloísio Mercadante, deputado Rui Falcão e Frei Chico, irmão de Lula, participaram das atividades

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Deputado Rui Falcão (esq.) e ex-ministro Aloízio Mercadante (dir.) conversam com a militância na Vigília / Pedro Carrano

Inaugurada em frente à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba (PR), na madrugada em que o ex-presidente Lula (PT) foi preso, em 8 de abril de 2018, a Vigília Lula Livre completa 300 dias de resistência e denúncia das injustiças cometidas no âmbito do Poder Judiciário.

Para celebrar a data, o espaço teve uma programação especial. Mais de 200 indígenas participaram do tradicional "Bom dia" ao ex-presidente – uma saudação em voz alta, a plenos pulmões. Às duas e meia da tarde, uma nova saudação a Lula lembrou a morte de seu irmão, Vavá, na última terça-feira (29). "Nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta", disseram os militantes, em coro.

Frei Chico, irmão de Lula e Vavá, visitou o ex-presidente na Superintendência da PF e também participou das atividades da Vigília à tarde. Emocionado, ele deixou um recado para os apoiadores e criticou a postura do Judiciário, que não permitiu que o petista se despedisse do irmão, em São Bernardo do Campo (SP). "Eles têm medo da fala de Lula. E terão que provar as acusações em algum momento", alertou. 

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Às 18 horas, foi a vez do ex-ministro Aloísio Mercadante, e do deputado federal Rui Falcão saudarem a militância, após visita a Lula. "O episódio de ontem, [o pronunciamento de Jair Bolsonaro em] Davos, as bobagens que o governo tem feito, cada fato vai mostrando o país que estamos vivendo", afirmou Falcão, repetindo as palavras de Lula.

Mercadante ressaltou que Vavá representava, para Lula, a figura paterna. "Lula tinha todo o direito de visitar o irmão. Suzane Von Richthofen e o goleiro Bruno saem e voltam da prisão. Como um homem que só fez bem ao Brasil não pode sair?", comparou.

Local simbólico

Também nesta quinta-feira (31), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) decidiu realizar uma plenária no centro de formação Marielle Vive, próximo à Vigília. O presidente da entidade, José Maria Rangel, ressaltou que as principais atividades da Federação devem ser feitas em Curitiba, devido à simbologia de resistência contra a prisão de Lula. "Eles usaram a questão da corrupção [na Petrobras] como pano de fundo para prender o nosso maior líder", afirmou.

O Brasil tem a quarta maior reserva de petróleo do mundo. O pré-sal é disputado desde que foi descoberto, em 2007, de acordo com o petroleiro Rodrigo Leão. Na plenária, ele relembrou que a Lei da Partilha foi alterada no governo Temer (MDB) – antes, garantia a maior parte da exploração e da renda no país: "É uma disputa global que estamos falando, não só do Brasil. A China tem três estatais para não depender da energia de outros países. Na geopolítica atual ninguém quer depender de ninguém. Mas o atual governo não caminha nessa direção", lamenta.

Antes de se despedir da Vigília, Frei Chico também deixou um alerta sobre as ameaças à soberania nacional: “O Lula é especial. Ele é um sequestrado do Poder Judiciário brasileiro, que deve estar defendendo interesses escusos. E não é interesse dos brasileiros”.

Edição: Daniel Giovanaz