IMAGENS

Campanha coletiva quer tornar pública 140 mil fotografias de João Roberto Ripper

Acervo de 50 anos do fotógrafo inclui imagens icônicas de movimentos sociais e populações tradicionais

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Objetivo é que imagens fiquem disponíveis em espaços públicos para toda população ter acesso / J.R.Ripper/Divulgação

A história do Brasil em imagens nos últimos 50 anos poderá chegar a entidades ligadas aos direitos humanos, aos povos tradicionais, aos movimentos que lutam pelos direitos do trabalhador e à Biblioteca Nacional. Uma campanha com duração de dois meses pretende arrecadar R$ 20 mil para tornar público todo o acervo de mais de 140 mil imagens do fotógrafo carioca João Roberto Ripper.

As doações, que estão sendo captadas em uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria, poderão ser realizadas até o dia 31 de maio. Todos os recursos serão utilizados para mais seis meses de trabalho do fotógrafo e dos jornalistas Sara Gehren e Breno Lima, que há três anos vêm fazendo o levantamento de todo o acervo de imagens. Entre as etapas, está a digitalização das imagens.

O conteúdo digital do acervo aborda temas como trabalho escravo e infantil, seca no semiárido, populações tradicionais (geraizeiros, vazanteiros, quilombolas, colhedores de flores sempre-viva, veredeiros, pescadores, caranguejeiros, caatingueiros, quebradeiras de coco etc), populações indígenas e povos da Amazônia, universo feminino, cerrado, movimentos sociais (trabalhadores rurais e urbanos, mulheres), favelas, saúde e doenças negligenciadas.

Em conversa com o Brasil de Fato, Ripper, que já passou por redações de diversos jornais do país, disse que a doação do acervo tem como objetivo democratizar a informação e contar uma história diferente das narrativas contadas pelos meios tradicionais de comunicação.

“Esse meu gesto é também uma provocação aos fotógrafos que têm muitos anos de histórias contadas em imagens para que eles também tornem públicos seus acervos e que a história do país não seja contada apenas pela grande mídia. A gente quer que o estudante e que qualquer cidadão possa acessar esse acervo em locais públicos”, disse o fotógrafo.

Segundo Ripper, a opção pela Biblioteca Nacional e por entidades e representantes ligados aos grupos representados é também uma forma de democratizar o acervo. “Sem desmerecer as empresas que tratam fotos dos institutos, mas acho importante os espaços públicos se abrirem para guardar a história do Brasil”.

Acervo

A primeira etapa do projeto, que cobre os últimos 15 anos de carreira e tem cerca de 20 terabytes em arquivos, ainda está em andamento. Esse primeiro passo integra o projeto maior, que contabiliza os mais de 140 mil fotogramas em filme e dezenas de cadernos de campo.

Além da Biblioteca Nacional, as cópias das fotografias serão distribuídas para entidades como o Centro de Agricultura Alternativa de Minas, Centro Sabiá de Direitos Humanos, Organização Caatinga, Comissão Pastoral da Terra, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e a Repórter Brasil, que realiza trabalho de combate ao trabalho escravo.

Quem quiser colaborar com a campanha pode acessar o site benfeitoria.com/bemquererobrasil. Quem quiser conhecer mais do acervo de Ripper, basta acessar o site Imagens Humanas.

Edição: Mariana Pitasse