Entrave ambiental

Bolsonaro chega ao G20 sob pressão e com imagem abalada por cocaína em avião

Delegação brasileira manifestou desconforto com declarações de líderes da França e Alemanha sobre questão ambiental

Sem agenda oficial no primeiro dia na cúpula do G20, presidente brasileiro fez turismo
Sem agenda oficial no primeiro dia na cúpula do G20, presidente brasileiro fez turismo | Crédito: Foto: Charly Triballeau / AFP

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e sua comitiva chegaram a Osaka, no Japão, demonstrando desconforto com as sinalizações públicas de Emmanuel Macron, presidente da França, e de Angela Merkel, chanceler alemã. 

O principal ponto das falas de ambos líderes europeus é a questão ambiental. Em discurso ao Parlamento alemão, Merkel afirmou ver com “grande preocupação a questão da atuação do novo presidente brasileiro” e qualificou o cenário das políticas para o ambiente, especialmente em relação à Amazônia, como “dramático”. 

A Alemanha, junto à Noruega, é parte fundamental do financiamento do Fundo Amazônia. A chanceler afirmou que pretende tratar da questão da preservação ambiental com Bolsonaro durante a cúpula do G20, que reúne as vinte maiores economias globais. 

O presidente brasileiro reagiu assim que chegou ao Japão: “Temos exemplo a dar à Alemanha, inclusive sobre meio ambiente. Eles têm a aprender conosco”, afirmou.

Bolsonaro afirmou ainda que não pretende se alinhar em possíveis disputas entre China e EUA, acerca de temas de comércio internacional. Questionado sobre um possível acordo bilateral com os Estados Unidos de Trump, Bolsonaro abandonou o grupo de jornalistas que o entrevistavam. 

“Estamos buscando paz e harmonia, como estamos trabalhando aqui a questão do [acordo] Mercosul e União Europeia”, afirmou antes da saída abrupta. 

A questão é que Macron declarou que uma possível saída do Brasil do Acordo de Paris, que busca fomentar medidas contra o aquecimento global, inviabilizaria qualquer tipo de aliança entre os dois blocos. O tema das mudanças climáticas é tratado como secundário pelo atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. 

Tráfico internacional

O fim repentino da entrevista de Bolsonaro aos jornalistas presentes no Japão foi creditado pela comitiva brasileira ao cansaço da viagem, e não à polêmica em torno da prisão de sargento da Aeronáutica preso na Espanha pela tentativa de tráfico de 39 quilos de cocaína

Apesar da negativa oficial, o fato abalou a imagem do governo na imprensa internacional logo antes da reunião do G20. 

O Le Monde, publicação francesa, noticiou a questão da seguinte forma: “Bolsonaro abalado pelo caso do Aerococa”. Já o New York Times escreveu “Pós branco, caras vermelhas: carga de cocaína a bordo de avião presidencial brasileiro”. 

No Japão, o general da reserva Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional se limitou a afastar a responsabilidade de sua pasta a responsabilidade pelo caso e a minimizar o acontecido.

“Cada um tem seu cada qual. A revista de passageiros e de malas para aviões da FAB fica a cargo da FAB, que não é subordinada a mim. Podia não ter acontecido, né? Falta de sorte ter acontecido justamente na hora de um evento mundial”, justificou-se. 

Sem agenda oficial, Bolsonaro fez turismo em Osaka nesta quinta-feira (27). 

Editado por: Rodrigo Chagas

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