Criminalização

Lideranças de movimentos de moradia são transferidos para CDPs em São Paulo

Militantes presos há uma semana, investigados por suposta extorsão, foram levados a Centros de Detenção Provisória

Brasil Fato | São Paulo (SP)

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A cantora e apresentadora Preta Ferreira, do MSTC, é uma das lideranças que estão presas desde o dia 24 de junho / Foto: Jornalistas Livres

Quatro lideranças do movimento de moradia em São Paulo, que tiveram prisão preventiva decretada na semana passada, foram encaminhadas a centros de detenção provisória nesta segunda-feira (1º).

Edinalva Silva Ferreira e Angélica dos Santos Lima foram levadas ao Centro de Detenção Provisória (CDP) feminino de Franco da Rocha, município da região metropolitana. Já Sidney Ferreira da Silva está no CDP 4 de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista.

Desde o dia 24 de junho, os militantes estavam presos temporariamente no Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). O prazo inicial decretado pelo juiz era de cinco dias. A argumentação para transformar a prisão temporária em preventiva, no entanto, ainda não foi esclarecida.

As prisões são parte de investigações sobre operações financeiras de movimentos de luta por moradia de São Paulo.

As lideranças estão sendo acusadas de extorsão, por supostamente cobrarem taxas que variam de R$ 200 a R$ 400 nas ocupações  Os movimentos, entretanto, afirmam que as taxas cobradas são aplicadas diretamente na manutenção e em melhorias dos edifícios precários.

O inquérito é um desdobramento da apuração o incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandú, em 1º de maio de 2018. A tragédia deixou sete vítimas fatais, duas desaparecidas e 291 famílias desabrigadas.

Lideranças caracterizam as prisões como criminalização dos movimentos da populares. No mesmo dia do incêndio, no ano passado, as organizações já alertavam que a narrativa de culpabilizar os moradores de ocupações por acidentes poderiam justificar reintegrações de posse na capital paulista.

O inquérito encaminhado pelo DEIC é baseado em supostas cartas "anônimas" de 13 moradores de ocupações, nas quais se dizem vítimas de extorsões e agressões para pagamento de aluguéis. O delegado responsável pelo caso também afirmou que a polícia interceptou ligações telefônicas das lideranças no decorrer do processo.

André Luiz Figueiredo, delegado titular da 3ª Delegacia de Crimes Financeiros e Econômicos e responsável pela investigação, solicitou 17 mandados de busca, apreensão e prisão no começo da semana, mas o juiz Marco Antonio Martin Vargas acatou somente nove delas.

As lideranças detidas fazem parte do Movimento Sem Teto do Centro (MSTC), da Frente de Luta por Moradia (FLM) e do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), responsáveis por ocupações como a 9 de Julho e a Mauá.

Ainda não se apresentaram à Polícia Civil as lideranças: Ananias Pereira dos Santos, Carmen da Silva Ferreira, Andreya Tamara Santos de Oliveira, Hamilton Coelho Resende e Josiane Cristina Barranco.

Edição: Rodrigo Chagas