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Há um ano, começava greve de fome contra parcialidade do Judiciário na prisão de Lula

Sete integrantes de movimentos sociais permaneceram 26 dias sem comer no Centro Cultural de Brasília (CCB)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Protesto começou no dia 31 de julho e terminou no dia 25 de agosto / Foto: Leonardo Milano/Mídia Ninja

No dia 31 de julho de 2018 sete integrantes de movimentos populares do campo e da cidade deflagraram a Greve de Fome por Justiça no Supremo Tribunal Federal, em Brasília (DF).

Os grevistas foram: Frei Sérgio Görgen e Rafaela Alves, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA); Luiz Gonzaga, o Gegê, da Central dos Movimentos Populares (CMP); Jaime Amorim, Zonália Santos e Vilmar Pacífico, todos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); e Leonardo Soares, militante do Levante Popular da Juventude.

O protesto durou 26 dias – de 31 de julho a 25 de agosto –, no Centro Cultural de Brasília (CCB), e denunciou a volta da fome e o abandono dos mais pobres, o aumento da violência que ataca, sobretudo, mulheres, jovens, negros e LGBTs, a situação da saúde pública, os desmontes das conquistas dos trabalhadores, entre outras pontos expostos em manifesto divulgado.

Entre as principais reivindicações estava o pedido para que Cármen Lúcia inclua, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), incluisse a Ação Declaratória de Constitucionalidade 54 (ADC) na pauta de julgamentos do Supremo Tribunal Federal.

A ADC, apresentada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), pedia a revisão da orientação do STF que definiu serem constitucionais as prisões a partir de condenação em segunda instância, quando ainda há possibilidade de apresentar recursos e o acusado pode, portanto, ter sua inocência decretada pela Justiça.

Os grevistas receberam mais de 500 cartas de apoio, além da visita de diferentes delegações e representações de movimentos populares. Artistas também lançaram campanha de solidariedade ao protesto

Protesto pacífico

O frei Sérgio Görgen, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), já havia participado de outros quatro protestos dessa natureza. O último deles contra a reforma da Previdência, no final de 2017.

A greve de fome, tipo de protesto pacífico que pode comprometer a saúde do manifestante, foi acompanhada de perto por profissionais da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMMP).

Esse tipo de protesto é antigo e já foi praticado diversas vezes, geralmente associado a reivindicações políticas. O indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) foi um dos líderes a usar desse artifício por mais de uma vez. 

No Brasil, uma das greves de fome mais famosas ocorreu em 1979, quando presos políticos protestaram por 32 dias, até a aprovação da Lei de Anistia.

Edição: Rodrigo Chagas