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Entidades criticam MP de Bolsonaro para atingir movimento estudantil: “Demagógica”

O presidente assinou, nesta sexta-feira (6), texto que centraliza no governo emissão da carteirinha de estudante

Estudantes em manifestação contra desmonte da educação pública no país
Estudantes em manifestação contra desmonte da educação pública no país | Crédito: Foto: Karla Boughoff/ Reprodução UNE

Um dia antes de mais uma jornada de mobilizações dos estudantes, marcada para este sábado (7), o presidente Jair Bolsonaro assinou nesta sexta-feira (6) a Medida Provisória que pretende acabar com a carteirinha estudantil emitida pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e pela Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG).

Em nota, as entidades classificaram a medida como “uma ação autoritária que tem como objetivo retaliar e enfraquecer as entidades estudantis, diante da luta que os estudantes têm realizado contra os cortes na educação.”

O comunicado também afirma que trata-se de uma “iniciativa demagógica que visa tirar a atenção dos reais problemas da educação e da ciência brasileira.”

A receita gerada pela emissão das carteirinhas é a principal fonte de renda das entidades estudantis, que durante este ano protagonizaram alguns dos maiores enfrentamentos ao governo Bolsonaro.

Um dos pontos críticos da nova carteirinha estudantil destacados pela entidade é que, ao fazer a adesão, o estudante terá de fornecer seus dados pessoais “para a composição do cadastro unificado e para utilização no ciclo das políticas públicas estudantis”.

As entidades afirmam que “é extremamente preocupante as evidências de invasão à privacidade e controle ideológico junto aos estudantes que se apresentam na iniciativa.”

Em maio deste ano, a tentativa do MEC em acessar dados sigilosos de estudantes no banco do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) levou à demissão do então presidente do órgão, Elmer Vicenzi.

O pedido de mudança nas regras de sigilo, para que esse acesso fosse liberado, chegou a ser feito por Vicenzi. Representantes de uma diretoria do Inep e da área jurídica emitiram pareceres contrários, e foram exonerados à época.

Durante a assinatura do texto que prevê modificações na emissão do documento, Bolsonaro voltou a atacar o movimento estudantil e disse que o atual modelo de emissão das carteirinhas "colabora com a defesa do socialismo".

"Essa lei de hoje, apesar de ser uma bomba, é muito bem vinda, vem do coração. E vai evitar que certas pessoas, em nossas universidades, promovam o socialismo. Socialismo esse que não deu certo em lugar nenhum do mundo, e devemos nos afastar deles”, afirmou.

Em outras ocasiões, o presidente já se referiu aos centros acadêmicos como “ninhos de rato”, e afirmou seguidas vezes sua intenção em enfraquecer e perseguir a UNE e os estudantes organizados através desta iniciativa.

Diante dos ataques, a UNE também expressa preocupação com possíveis retrocessos na lei que garante o direito do estudante à meia entrada.

“É lamentável a irresponsabilidade do Governo Federal em propor uma alteração nas regras sobre a meia entrada via Medida Provisória, desrespeitando o Congresso Nacional, causando uma enorme insegurança jurídica e colocando em risco o próprio direito de milhões de estudantes”, finaliza a nota.

As entidades estudantis estão convocando manifestações em diversas cidades do Brasil para marcar o 7 de Setembro, feriado que marca a independência do país.

A convocação pede que os manifestantes vistam roupas pretas e pintem o rosto de verde e amarelo. A ideia é manifestar luto em relação às políticas de Bolsonaro sem abandonar as cores da bandeira nacional.

Editado por: Geisa Marques

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