Educação

“Chance de acabar com analfabetismo no Brasil até 2024 é zero”, afirma especialista

Segundo professora da UFMG, corte de investimentos promovidos pelo atual governo são barreiras para reduzir índice

Mais de 11 milhões de pessoas são consideradas analfabetas no Brasil, segundo IBGE
Mais de 11 milhões de pessoas são consideradas analfabetas no Brasil, segundo IBGE | Crédito: Agência Brasil

O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2014, tem como meta reduzir a zero o índice de analfabetismo absoluto de pessoas com 15 anos ou mais até 2024.

O país reduziu a taxa no período posterior ao documento, mas, na avaliação da professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Analise da Silva, a intensificação dos cortes no setor de educação e o desmonte das políticas educacionais são barreiras para que a meta do PNE seja atingida.

“A chance de cumprir essas metas é zero. Nós temos uma diminuição do investimento na educação há mais de uma década e que foi agravada a partir da Emenda Constitucional 95/16, com a redução para a educação básica”, afirmou a pedagoga em entrevista ao Programa Brasil de Fato.

Ela acrescenta que é necessário “uma política pública, como aquela que estava prevista no Plano de Educação, que agora está sendo negligenciada e desconsiderada pelo atual governo”.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em junho de 2019, o Brasil tem pelo menos 11,3 milhões de pessoas com mais de 15 anos analfabetas. O número corresponde a aproximadamente 6,8% dos habitantes.

A professora, doutora em Educação e especialista em Educação de Jovens e Adultos, ressalta que a preocupação com o analfabetismo deve extrapolar esses dados. Ela chama a atenção para a parcela de jovens e adultos que não completou o ensino médio ou fundamental, que chega a quase metade da população brasileira.

“Não temos nenhuma política pública voltada ao atendimento desses cidadãos e cidadãs, que somam 43% da população do país. Então, a preocupação com esses dados deve ser do tamanho da necessidade de encaminharmos o mais rápido possível a pauta nacional da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que agora está colocada de lado. Temos a necessidade de fazer com que essa pauta se concretize em termos de legislação e de política pública”, completa.

Analise da Silva destacou ainda a dívida histórica do país com a população negra. Enquanto 3,9% da população branca com 15 anos ou mais é iletrada, o percentual sobe para 9,1% entre os negros, de acordo com o IBGE.

Segundo ela, a disparidade é consequência da história escravagista do país.

“Tivemos legislações antes da Lei Áurea que proibiam a permanência de negros, alforriados e escravizados, nas salas de aula. Os professores eram proibidos de dar aulas para negros. Então, a chegada dos negros a escola pública é bem recente e ainda acontece com essa marca de sociedade escravocrata que fomos e que, por vezes, ainda somos”, completa a pedagoga.

Confira a entrevista completa aqui.

Editado por: Camila Salmazio

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