Esporte

Com Pacaembu privatizado, futebol deixará de ser prioridade e "tobogã" será demolido

Concessão assinada nesta segunda (16) pelo prefeito Bruno Covas entrega o complexo à iniciativa privada por 35 anos

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Com as alterações propostas pelo consórcio Patrimônio SP, a capacidade do estádio deve diminuir de 39 mil para 26 mil lugares / Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

O estádio do Pacaembu, localizado na cidade de São Paulo (SP), foi entregue à iniciativa privada nesta segunda-feira (16). O contrato, assinado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), condiciona o complexo esportivo à administração do consórcio Patrimônio SP, formado pelo fundo de investimentos Savona e pela empresa de engenharia Progen, pelos próximos 35 anos.

Uma das principais mudanças previstas é a demolição do Tobogã — trecho de arquibancada inaugurado no início da década de 1970 — para a construção de um prédio de escritórios e negócios. Com o projeto, a capacidade do estádio deve diminuir de 39 mil para 26 mil lugares. 

O futebol deixará de ser a atividade prioritária do estádio para corresponder a apenas 15% da receita. A intenção do consórcio é de fazer até 15 partidas de futebol profissional masculino por ano. Só este ano já foram realizados 46 jogos, 21 deles nos últimos 60 dias, sendo a maioria de modalidade feminina. Os números são um recorde na história recente do Pacaembu: em 2018 foram 39 jogos no total contra 22 partidas no ano anterior.

O vencedor do processo de licitação prevê entregar o estádio reformado em julho de 2022. Com as obras, o Pacaembu deve ficar fechado por pelo menos 24 meses. A associação de moradores Viva Pacaembu entrou com uma ação na Justiça contra o processo de privatização. 

A construção é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). A empresa tem 30 dias para apresentar o plano de negócios do estádio que, até janeiro, deve obter a administração total do Pacaembu.

A justificativa da prefeitura para a privatização é que o complexo esportivo dá prejuízo aos cofres públicos. A nova receita será composta por shows, aluguel de espaços, estacionamento e eventos como casamentos, apresentações musicais, festas infantis e lançamentos de marcas.

Para arrematar a licitação, o consórcio Patrimônio SP depositou R$ 79,2 milhões pela outorga do complexo. O valor estabelecido para a administração do Pacaembu pelos próximos 35 anos foi de R$ 115 milhões. A área privatizada inclui, além do campo de futebol, uma piscina, duas quadras de tênis e um ginásio poliesportivo. O Museu do Futebol e a Praça Charles Miller não fazem parte da concessão. 

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O Pacaembu, como é conhecido o estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, é a primeira concessão da prefeitura desde que o ex-prefeito e agora governador, João Doria (PSDB), assumiu o cargo, em janeiro de 2017. Outros equipamentos da cidade também estão na mira da desestatização, como parques, o Autódromo de Interlagos, o complexo do Anhembi, mercados municipais, terminais de ônibus e cemitérios, entre outros.

 

Edição: Rodrigo Chagas