É doce mas não mole

Em parceria com pesquisadores, famílias produzem rapadura agroecológica no Piauí

Em Campo Maior (PI) o excesso do caldo de cana é utilizado para a produção de alimentos que viram fonte de renda

Ouça o áudio:

Produção familiar no Piauí faz com a sobra da cana de açúcar rapadura agroecológica - Igor Suassuna/Pixabay
Desenvolvimento da técnica veio com apoio de pesquisadores do Instituto Federal do Piauí

Rapadura é doce, mas não é mole! Quem nunca usou esse ditado que atire a primeira pedra. Mas, esse dito popular traz uma verdade. A especiaria é feita, basicamente, só de açúcar, mais precisamente de cana-de-açúcar.

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Sabe o famoso caldo de cana, que você compra na feira junto com o pastel? Pois, ele é o único ingrediente da rapadura. Se ela na sua essência já é saudável, agricultores de Campo Maior, no Piauí, conseguiram deixar o doce ainda mais nutritivo. Com a ajuda de pesquisadores do Instituto Federal do Piauí (IFPI), essas famílias produzem a rapadura utilizando cana-de-açúcar orgânica.

Tudo começou em 2015, quando professores do instituto decidiram ensinar técnicas de agroecologia para produtores da agricultura familiar. A professora e coordenadora do Centro Vocacional Tecnológico em agroecologia do instituto, Dayse Batista dos Santos acompanha esse trabalho de perto e fala mais um pouco dele.

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“Em 2015, iniciamos a assessoria de produção agroecológica, ensinando técnicas como compostagem, horticultura, biofertilizantes, plantio direto, entre outros onde elas e elas iniciaram sua produção de forma agroecológica. Depois, a fim de escoar a produção, em 2018, criamos junto a essas agricultoras e agricultores, o projeto que chamamos de Tenda da Agroecologia, onde eles comercializam os seus produtos todos os sábados.”

E foi por causa de um problema com a venda das mercadorias, que surgiu a ideia das rapaduras orgânicas, como explica a professora.

“Dentre esses produtos, tinha o caldo de cana, também conhecido como garapa, que sempre sobrava e muitas vezes, esses agricultores e essas agricultoras retornavam com as sobras e davam aos animais. Foi aí, que surgiu a ideia de fazermos a rapadura, a partir das sobras dessa garapa da Tenda da
Agroecologia.”

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As famílias utilizam as técnicas que aprenderam com os professores do Instituto Federal do Piauí (IFPI) na plantação da cana-de-açúcar, que não tem nenhum tipo de adubo químico ou agrotóxico. Os agricultores produzem cerca de 40 rapaduras de meio quilo cada por mês.

Toda essa mercadoria é vendida na Tenda da Agroecologia aos sábados. Segundo Dayse, além dos agricultores, o próprio Instituto também produz a rapadura orgânica.

“As que são feitas no laboratório de tecnologia de alimentos do Instituto Federal do Piauí ficam guardadas para serem usadas como ingredientes para preparação de pães, biscoito e bolos nas aulas práticas do curso de Agropecuária ou nos cursos de extensão, que oferecemos para agricultores e agricultoras familiares.”

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A professora explica que a rapadura é fonte, principalmente de energia e carboidratos, mas ela também é rica em vitaminas do complexo B, minerais, como ferro, cálcio potássio, fósforo é magnésio. No entanto, ela faz um alerta importante para aqueles que adoram um doce.

“Como qualquer doce, a rapadura é um pouco calórica, então em 25 gramas do produto, há em torno 92 calorias e 23 gramas de carboidrato. Então, temos que consumir com moderação, mesmo sendo um doce saudável e agroecológico.”

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A rapadura orgânica é fruto dessa parceria entre o conhecimento científico e o tradicional. Com técnicas simples e baratas, essas famílias de agricultores conseguem aproveitar o máximo toda a sua produção, gerando renda e cuidando do lugar onde vivem.

Edição: Lucas Pará