Medicamentos

Parte do "kit covid", ivermectina não é eficaz contra o coronavírus, diz fabricante

Laboratório alemão informa que, até o momento, não há nenhuma base científica que aponte efeitos positivos em pacientes

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Remédio fabricado pela farmacêutica alemã Merck foi incluído em "kit covid" do Ministério da Saúde para tratamento precoce contra a covid: sem eficácia - Divulgação

A empresa farmacêutica Merck, responsável pelo desenvolvimento da ivermectina, afirmou na última quinta-feira (4), que o medicamento não tem eficácia comprovada para o tratamento da covid-19. Em comunicado, o laboratório alemão diz que não há “segurança e eficácia” do uso do medicamento para além do seu uso recomendado no combate a verminoses.

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De acordo com a empresa, cientistas continuam a examinar as descobertas de todos os estudos disponíveis e emergentes sobre o efeito da remédio contra a doença causada pelo coronavírus. Mas, até o momento, não há nenhuma base científica que aponte efeitos positivos em pacientes.

O laboratório alerta, ainda, para a “preocupante falta de dados de segurança” em estudos que recomendam seu uso. Além disso, as atividades clínicas também não apontaram “evidência significativa” dos efeitos do medicamento em pacientes que contraíram a covid-19.

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“Não acreditamos que os dados disponíveis suportem a segurança e eficácia da ivermectina além das doses e populações indicadas nas informações de prescrição aprovadas pela agência reguladora”, diz trecho do comunicado.

O medicamento tem seu uso aprovado pelas agências reguladoras para o tratamento oncocercose, elefantíase, pediculose, ascaridíase e escabiose. A Merck deteve a patente do produto até 1996. Posteriormente passou a ser produzido por diversos laboratórios.

"Kit Covid"

No Brasil, apesar da falta de evidências, hospitais, convênios e órgãos públicos chegaram a recomendar a sua utilização no combate aos sintomas da covid-19. Junto com outras drogas, a ivermectina foi incluída no chamado “kit covid”, destinado a um suposto “tratamento precoce” contra a doença.

No início do ano, a medicação chegou inclusive a ser indicada pela plataforma TrateCOV, do ministério da Saúde. A receita sugerida a médicos e pacientes inclui ainda medicamentos como cloroquina (e seu composto, a hidroxicloroquina) e a azitromicina. Esses também não contam, até o momento, com eficácia comprovada contra a doença. Após reclamações inclusive de entidades médicas, a plataforma virtual foi retirada do ar no último dia 22.