Repressão

Militares reprimem manifestantes, e mortos em protestos chegam a 550 em Mianmar

País está em crise desde que militares derrubaram governo civil liderado pela ex-conselheira de Estado Aung San Suu Kyi

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Manifestantes apelam à comunidade internacional na luta pela democracia em Mianmar - Wikicommons

As forças policiais de Mianmar reprimiram neste sábado (03/04) manifestantes que protestavam contra o golpe militar no país. Segundo o portal Myanmar Now, pelo menos duas pessoas morreram nas jornadas deste sábado e diversas ficaram feridas. 

De acordo com a Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos de Mianmar, o número total de mortes em protestos desde o golpe de 1º de fevereiro já chega a 550.

O Myanmar Now ainda indicou que houve confrontos entre policiais e manifestantes em uma delegacia na cidade de Tamu.

Mianmar está em crise desde que os militares derrubaram o governo civil liderado pela ex-conselheira de Estado Aung San Suu Kyi em 1º de fevereiro, desencadeando uma revolta popular reprimida pela junta no poder.

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Em matéria publicada neste sábado, a agência AFP informou que dez dos principais grupos armados de Mianmar, majoritariamente composto por minorias étnicas que lutam por reconhecimento, manifestaram apoio aos protestos contra o golpe no país.

Os episódio de violência contra manifestantes levaram o presidente dos EUA, Joe Biden, a anunciar sanções contra o país. O movimento mais recente de Washington foi a retirada de todos os diplomatas não essenciais e de suas famílias de Mianmar.

A repressão dos militares, segundo o jornal The Guardian, tem levado milhares de cidadãos de Mianmar a deixarem o país e buscarem refúgio na Índia ou na Tailândia.

Os militares deram um golpe de Estado sob alegação de "fraude eleitoral" no pleito do dia 8 de dezembro, quando o partido de Suu Kyi, o Liga Nacional para a Democracia (NLD), teve uma vitória com mais de 70% de votos. A data escolhida para o golpe, 1º de fevereiro, seria a ocasião em que os novos parlamentares assumiriam seus cargos.

Desde que foram detidos, a Nobel da Paz de 1991 e o presidente foram acusados de diversos de cometerem delitos não políticos, como violação de leis de comércio e desrespeito às normas ambientais.