Desigualdade social

Crianças discutem o aumento da fome no Brasil no Radinho BDF

Para isso, o programa leva as crianças para uma viagem imaginária até Sorriso (MT), traçando o caminho do alimento

Ouça o áudio:

Estudo aponta que em mais de metade dos domicílios brasileiros houve algum tipo de privação de alimentos durante a pandemia. - Divulgação/Ministério da Cidadania
Na minha cidade tem sítios abandonados. Os governantes deveriam doar esses locais!

A grande desigualdade social do Brasil, a baixa escolarização da população, o aumento no preço dos alimentos e pandemia do novo coronavírus. Esses são alguns dos motivos apontados pelas crianças entrevistadas pelo Radinho BDF dessa semana para justificar o aumento da fome no Brasil no último ano.

A edição debate com as crianças os problemas na distribuição fundiária do Brasil e o destino de grandes áreas para a produção de commodities não direcionadas para alimentação. Para isso, o Radinho BDF faz uma viagem com as crianças até o município de Sorriso (MT), traçando com elas o caminho do alimento até o nosso prato.

:: E nesta outra edição, as crianças falaram sobre seus bichinhos de estimação. Tem até barata... Mas é barata limpinha! ::

“Depois que chegou a pandemia agravou muito, porque os preços dos alimentos aumentaram muito e os salários continuaram mais ou menos iguais. Além disso ocorreram muito fechamentos de empresas e isso trouxe muito desemprego”, disse Benjamin Weber dos Santos Lima, de 11 anos, morador da cidade de Curitiba (PR).

Eles têm a solução

As crianças aproveitam para dizer como resolveriam esse problema social: “na minha opinião, prefeitos, governadores e o próprio presidente da República deveriam doar mais alimentos e também acho que deveriam doar terras. Aqui na minha cidade tem sítios abandonados que ninguém usa. Eles deveriam doar esses locais”, sugere Maria Clara de lima carvalho, que tem 11 anos e mora em Triunfo (PE).

Ouça também: Radinho BdF: Crianças sem terrinha falam sobre as lutas do Abril Vermelho por moradia

Já ouviu falar em TiNi?

Como uma forma divertida de cultivar alimentos em casa, mesmo nas grandes cidades, as crianças aprendem a fazer uma TiNi, também chamada de Terra das Crianças. Para fazer a TiNi, as crianças precisam de um espaço em que caibam, no mínimo, três vasos de plantas ou, pelo menos, meio metro quadrado de canteiro. Assim, a TiNi, traz um pedacinho de natureza para mais perto das crianças.

“O melhor jeito de começar é não deixar a terra exposta. Cubra a terra com uma camada bem fofa de folhas e gravetos, como a gente vê quando anda em uma praça cheia de árvores ou em uma floresta”, conta Thais, integrante do Instituto Alana.

Sua TiNi precisa de um nome, porque nenhuma é igual a outra. Depois é hora de criar vida na TiNi

Vai uma sopinha de botão de osso aí?

Na voz de Rosangela Schiinke, do grupo Contadores do Sótão, as crianças conhecem e se divertem com a história de “Sopa de Botão de Osso”, um conto de tradição oral presente em diversas culturas que nos conta como o ato de comer e de compartilhar as refeições alimenta muito mais que o estômago, mas ajuda a nos aproximarmos de pessoas e fazer novos amigos.

:: Por falar em tradição oral, ouça também esta edição que explica porque 19 de abril é o Dia do Índio ::

“Em uma noite de inverno, um homem andava sobre a neve. Fazia muito frio, mas dentro da sua cabeça estava um calor bom, porque estava quentinha de bons pensamentos... Com suas roupas rasgadas ele se protegia do frio, o mais que podia. Era um andarilho que andava de um lugar para o outro, sem destino ou morada certa. Naquela noite ele precisava encontrar um lugar para se aquecer e matar a sua fome. Ao pé da montanha ele avistou uma pequena cidadezinha, então ele desceu o morro até chegar na entrada do vilarejo...”

A playlist do episódio coloca as crianças para dançar ao som de “Comida”, dos Titãs, “Fome Come”, do grupo Palavra Cantada, e “Tem gente com fome”, uma adaptação musical do poema de mesmo nome de Solano Trindade, na voz de Ney Matogrosso.


Toda quarta-feira, uma nova edição do programa estará disponível nas plataformas digitais. / Brasil de Fato / Campanha Radinho BdF

Sintonize

O programa Radinho BdF vai ao ar às quartas-feiras, das 9h às 9h30, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo e 93,3 FM na Baixada Santista. A edição também é transmitida na Rádio Brasil de Fato, às 9h, que pode ser ouvida no site do BdF.

Em diferentes dias e horários, o programa também é transmitido na Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), e na Rádio Terra HD 95,3 FM.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o Radinho BdF de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para fazer parte da lista de distribuição, entre em contato pelo e-mail: [email protected]

Edição: Morillo Carvalho