Educação

Sindicato diz que prefeitura de Curitiba impediu fechamento de escola com surto de covid

Vigilância Sanitária determinou fechamento de escola no Tatuquara por 10 dias, mas orientação mudou por pressão do Núcle

Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
Vigilância Sanitária decidiu fechar por 10 dias a Escola Municipal Professor Darcy Ribeiro, no Tatuquara, por casos de covid - Divulgação/ Ascom Prefeitura de Curitiba

Na última segunda-feira (16), a Vigilância Sanitária decidiu fechar por 10 dias a Escola Municipal Professor Darcy Ribeiro, no Tatuquara, por suspeita de surto de covid-19. As famílias foram comunicadas, mas a orientação mudou ao longo da manhã por decisão do Núcleo Regional de Educação. 

Continua após publicidade

A unidade conta com dois casos de infecção confirmados entre servidores, mais um caso confirmado de um estudante e outros três afastados com suspeita. A suspensão das atividades da unidade quando forem identificados três ou mais casos com suspeita de estarem relacionados a uma mesma cadeia de transmissão é o protocolo informado desde o início da pandemia pela Secretaria Municipal de Saúde. No entanto, a orientação mudou no dia 12 de agosto, sem que muitos diretores de escolas soubessem.  

Continua após publicidade

:: Programa Bem Viver: máscaras sem qualidade aumentam 1100% risco de contrair covid em escolas ::

Continua após publicidade

Segundo o Sindicato dos Servidores Municipais do Magistério Municipal de Curitiba – SISMMAC, o Núcleo Regional de Educação do Tatuquara informou que protocolo mudou e convocou a Vigilância Sanitária para voltar até a unidade e liberar o funcionamento normal já no dia seguinte. Os professores e diretores de escola foram surpreendidos com a nova normativa divulgada pela Secretaria Municipal de Educação que muda as orientações. 

Continua após publicidade

O presidente do SISMMAC, o professor Gabriel Conte, informa que nas duas semanas e meia de aulas, já são 41 escolas com casos e pelos menos três destas com surto. “Temos pelo menos três unidades com a caracterização de surto definida anteriormente pela própria Secretaria de Educação. Mas, agora, sem diálogo nenhum com a comunidade escolar, eles mudaram as orientações numa manobra jurídica para dificultar o fechamento das escolas em situações como estas.”

:: Sindicato identifica contaminação de crianças por covid-19 em escolas no Distrito Federal :: 

Novo protocolo dificulta controle de surtos

Em nota o SISMMAC repudiou a nova orientação alegando que dificultará o controle em caso de surtos de covid. “O protocolo de como lidar com casos suspeitos e surtos de covid-19 em escolas de Curitiba foi alterado no dia 12 de agosto, sem que as direções das unidades escolares ou a própria Vigilância Sanitária fossem comunicadas sobre a alteração." 

O sindicato considera que o atropelo e a falta de planejamento é um desrespeito com quem lida com esses casos na prática. "A alteração dificulta a suspensão das atividades em caso de surto e responsabiliza ainda mais os profissionais da educação e direções das unidades por possíveis descumprimentos dos protocolos. Além da mudança na definição, também foi alterado o protocolo do que fazer para impedir que mais pessoas se contaminem", prossegue o sindicato.

:: Relatório da Alerj aponta despreparo das escolas estaduais do RJ na volta às aulas presenciais ::

A entidade dos trabalhadores frisa também que como se tratam de casos relacionados a uma mesma cadeia de transmissão, a orientação anterior indicava a suspensão das atividades como forma de interromper o contágio. "Agora, a Prefeitura só indica o afastamento das pessoas comprovadamente conectadas com quem confirmou o diagnóstico de covid-19", ressaltam.  

Outro questionamento feito pelo sindicato é quanto aos critérios de quem deve ser afastado. “Esse entendimento de que só há risco de contágio para quem senta ao lado na sala de aula desconsidera as condições precárias de ventilação de grande parte das unidades e ignora também que não é possível mapear como as crianças interagem entre si no recreio e na aula de educação física", conclui a nota.  

Além das tentativas de reunião com a gestão municipal, o sindicato também informou que a alteração do protocolo será denunciada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) no inquérito civil aberto a partir das denúncias apresentadas pelos sindicatos. 


Volta às aulas presenciais sem segunda dose da vacina é criticada por professores / Tobias Schwarz / AFP

O que diz a Prefeitura  

Em nota ao Brasil de Fato Paraná, a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação, informou que: “Sobre a Escola Municipal Darcy Ribeiro, no Tatuquara, a Secretaria Municipal da Educação informa que a unidade teve três pessoas afastadas, após confirmação de covid-19: dois profissionais e um estudante. A escola passou por uma sanitização na tarde desta segunda-feira (16/8) e seguirá atendendo os demais estudantes normalmente a partir desta terça (17).” 

A nota ainda disse que “de acordo com o que determina o protocolo da Secretaria Municipal da Saúde, não há necessidade para fechamento da escola neste momento.”  A redação do jornal questionou a Secretaria Municipal de Saúde quanto às mudanças no protocolo para surtos de covid nas escolas municipais. A assessoria de comunicação da SMS informou que “não houve mudança na caracterização de surtos, mas que cabe a Vigilância Epidemiológica avaliar o nível de isolamento necessário para cada surto: se apenas os casos confirmados e suspeitos ou se uma turma ou até a escola toda.”  

Fonte: BdF Paraná

Edição: Frédi Vasconcelos