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Lula ao movimento negro: “Bendito o momento em que vocês decidiram entrar na política”

O ex-presidente comparou o lançamento do Quilombo no Parlamento à decisão de criar o PT

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Lula falou aos militantes do movimento negro por videoconferência - Elineudo Meira

Diagnosticado com covid-19, o ex-presidente Lula fez uma fala transmitida ao vivo para o lançamento do Quilombo nos Parlamentos, realizado pela Coalizão Negra por Direitos nessa segunda-feira (6), em São Paulo.

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Ele afirmou se tratar de um "momento extraordinário", em que as pessoas negras decidem ocupar a política. "Bendito o momento em que vocês decidiram entrar na política. Que tomaram a decisão de se organizar e construir uma plataforma a partir daquilo que é o dia a dia da vida de vocês", afirmou, comparando a situação com o momento em que decidiu fundar o Partido dos Trabalhadores. 

"Fazendo uma comparação, em 1978, quando eu decidi fazer um partido, foi porque eu fui a Brasília reivindicar algumas coisas e descobri que só tinha dois deputados operários. Fiquei pensando 'eu sou um babaca'. Como posso querer que o Congresso vote coisas para o trabalhador, se lá não tem trabalhador?", relatou.

"A mesma coisa vou dizer pra vocês: como é que a gente quer que as reivindicações e necessidades da população negra e do povo pobre sejam atendidas se não temos essa gente nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias, nas Prefeituras, nos governos, na presidência da República, no Congresso e no Senado? E mais ainda, não tem no poder Judiciário, no MP, na receita Federal, no sistema de Justiça praticamente inexiste a população negra, porque ela sempre foi marginalizada". 

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Lula destacou diversas políticas voltadas para a população negra criadas em seus mandatos e nos de sua sucessora Dilma Rousseff, como o Estatuto da Igualdade Racial, a política de cotas nas universidades e no serviço público e a própria criação da Secretaria Especial de Políticas para a Igualdade Racial (SEPPIR), que deixou de existir no governo de Michel Temer (MDB), após o golpe que depôs Dilma. 

"Temos que mostrar o legado do que construímos para que as pessoas saibam que é possível a gente avançar, conquistar. E que quanto mais a gente luta, mais a gente avança", destacou.

"O PT tem um legado que foi construído a partir da capacidade de luta do movimento negro brasileiro. Mulheres e homens desse país se sacrificaram e militaram para que gente pudesse construir". 

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Mas afirmou que a campanha não pode ser só de passado, mas precisa ser "feita de esperança, de compromissos que a gente possa ter com as pessoas".

Segundo ele, é preciso "tentar construir uma narrativa daquilo que precisamos construir com a participação do povo negro na vida política, econômica e social desse país, ocupando todos os espaços a que temos direito, e os negros mais ainda, porque durante séculos foram subjugados em tudo".

Edição: Vivian Virissimo