Dinheiro e poder

Bolívia: movimentações bancárias de Fernando Camacho fortalecem denúncias de golpismo

Governador de Santa Cruz está ligado a troca de transferências que envolvem cerca de US$ 635 mil

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Camacho carregando uma bíblia ao lado de Jeanine Áñez, no Palácio do Governo da Bolívia, após a autoproclamação e golpe de Estado em novembro de 2019 - Jorge Bernal /AFP

O governo da Bolívia revelou nesta quarta-feira (04/01) que a investigação contra o governador de Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, acusado de participar do golpe de Estado contra Evo Morales em 2019, descobriu o envolvimento do político e empresário com grandes movimentações bancárias que fortalecem a denúncia que ele enfrenta na Justiça.

Segundo o ministro do Governo, Eduardo del Castillo, os movimentos na conta bancária de Camacho entre 5 de novembro e 7 de dezembro de 2019 acumulam cerca de 4,5 milhões de bolivianos, equivalente a US$ 635 mil.

Desse valor, 2,1 milhões de bolivianos (US$ 296 mil) foram depositados por terceiros em uma conta de Camacho. As demais movimentações foram depósitos que o próprio Camacho fez para contas de terceiros, também a outras instituições bancárias bolivianas.

Segundo o diário boliviano La Razón, alguns dos beneficiados pelos depósitos de Camacho já foram identificados. Entre eles estão alguns ex-chefes militares, que estavam no comando das Forças Armadas na época do golpe.

Um dos envolvidos é o general-brigadeiro Jorge Lara, então comandante da Força Aérea Boliviana (FAB), que também se encontra preso por seus vínculos com o golpe de 2019. Ele recebeu dois depósitos em sua conta bancária nos dias prévios ao golpe contra Evo.

Segundo o ministro Del Castillo, as movimentações bancárias de Camacho reveladas até o momento pela investigação são “uma pequena parte do financiamento do golpe (de 2019) no nosso país”. Ele assegurou que mais informações relacionadas com essas transferências estão contidas no processo contra os acusados, mas protegidas por segredo de Justiça.

Camacho foi figura fundamental para se concretizar o golpe no dia 11 de novembro de 2019. Ele encabeçou a realização de atos de vandalismo contra prédios públicos em La Paz, sendo que ele mesmo participou do principal ataque, a invasão do Palácio Quemado, sede do Poder Executivo da Bolívia.

O político de extrema direita chegou a realizar um live em um dos salões do Palácio, na qual apareceu estendendo uma bandeira boliviana no chão, ajoelhou-se diante dela, abriu uma Bíblia e passou a recitar passagens que, segundo ele, justificavam a ação golpista. A cena se tornou imagem referencial daquele golpe.

O político foi preso no dia em 28 de dezembro de 2022 devido ao seu envolvimento no golpe. Dias depois, foi decretada sua prisão preventiva por quatro meses.

(*) Com informações de La Razón