EXTREMA DIREITA

Bolsonaro conversa com Javier Milei para definir "estratégia conjunta" em eleições da Argentina

Deputado é aliado da família do ex-presidente e utiliza mesma base de discurso de extrema direita

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

Ouça o áudio:

Bolsonaro e Javier Milei fizeram uma chamada por vídeo na última quarta (15) - AFP

O deputado Javier Milei (Liberdade Avança) conversou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para definir uma "estratégia conjunta" para as eleições gerais na Argentina, previstas para novembro deste ano. Milei e Bolsonaro dizem que querem "combater o avanço do socialismo". 

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"Entramos num acordo de que é fundamental dar a batalha contra o socialismo no continente sobre a base dos valores de Deus, pátria, família e liberdade", publicou em comunicado nas suas redes sociais o líder de extrema direita da Argentina. 

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Os dois políticos ainda compararam o Grupo de Puebla, iniciativa liderada por ex-chefes de Estado e outros expoentes do progressismo latino-americano, com uma nova versão da União Soviética, e por isso buscam convocar um "congresso da direita" na Argentina este ano. 

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Em 2021, a família Bolsonaro organizou em Brasília a Conferência de Ação Conservadora na Política (CPAC, na sigla em inglês), que contou com a participação de Donald Trump Jr. e outras figuras de extrema-direita do continente. 

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Saiba mais: Bolsonaro tem aliados organizados e "neofascistas" na Europa, diz eurodeputada

Neste mesmo ano, Eduardo Bolsonaro foi convidado para a edição argentina da CPAC, protagonizada pelo partido Liberdade Avança, de Javier Milei.

O deputado argentino se apoia num discurso de "outsider" da política para tentar despontar como alternativa ao peronismo, com a Frente de Todos, e o macrismo, representado pela chapa Juntos pela Mudança.

"Nossos inimigos são os políticos, esta casta", disse Milei (Liberdade Avança) em entrevista a meios locais, fazendo referência aos seus oponentes.

Milei teria 41% das intenções de voto contra 36% da atual vice-presidenta, Cristina Kirchner, e 24% do ex-presidente Mauricio Macri, de acordo com pesquisa de opinião da consultora Inovação, Política e Desenvolvimento (IPD), realizada no dias 15 e 19 de janeiro, com 1.011 entrevistados.

Em outubro do ano passado, Milei recebeu o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) em Buenos Aires a 15 dias do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. 

Ambos fazem parte do Fórum de Madri, uma aliança internacional "para frear o avanço do comunismo na ibero-esfera", afirmam na carta de fundação.

Assim como outros expoentes da extrema direita, Milei fez eco das versões instaladas pelo bolsonarismo de que houve fraude nas eleições brasileiras.

"Terminemos com a outra mentira. Houve uma eleição muito turva no resultado. As pessoas estiveram durante 70 dias pedindo que esclarecessem as coisas, mas Lula não esclareceu as coisas. Reprimiu. Se ele tinha a verdade do lado dele, devia ter mostrado os dados. Que Lula demonstre que não houve fraude. Lula nunca se preocupou por esclarecer", declarou Milei em um entrevista televisiva na última segunda (13).

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro apoiou-se na ideia de que o Brasil não poderia virar a Argentina, afirmando que a crise econômica do país vizinho teria sido causada pela gestão de Alberto Fernández e Cristina de Kirchner.

Agora, novamente, durante a videoconferência com Milei, Bolsonaro disse estar preocupado com a situação econômica da Argentina. Milei também se apoia num discurso conservador do ponto de vista ideológico, mas liberal na agenda econômica para promover sua candidatura à presidência. De acordo com a pesquisa de opinião da consultora IPD, a economia é a principal preocupação para 72% dos argentinos.

Edição: Thales Schmidt