TRADIÇÃO

Carijo no RS resgata cultura indígena ao mostrar técnicas de produção artesanal de erva-mate

A 'carijada' será realizada nos dias 15 e 16 de julho, na cidade de Morro Reuter, no Rio Grande do Sul

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |
Participantes terão atividades de reconhecimento da planta e aprendizagem sobre todo o processo da erva-mate, cujo nome científico é Ilex paraguariensis - Foto: Matheus Beija Flor/Divulgação

Produzir a própria erva para o chimarrão, com sabor original e participação em todo processo, aprendendo sobre a cultura indígena, é a proposta do carijo que será realizado no Morro Reuter. A vivência será realizada nos dias 15 e 16 de julho, no organismo agrícola do produtor Marcos Wagner – localizado há 550 metros de altitude, na Fazenda Padre Eterno.

O carijo é uma estrutura tradicional utilizada para a secagem da erva-mate durante a sua produção artesanal. Neste final de semana, os participantes terão atividades de reconhecimento da planta e aprendizagem sobre todo o processo da erva-mate, cujo nome científico é Ilex paraguariensis. Durante a noite manterão o cuidado com o fogo e a erva que estará secando no carijo. No domingo a produção segue com o soque, a moagem, embalagem da erva.

:: Estimulante e diurética, erva-mate é parte da identidade cultural de um povo ::

Essa vivência, com oficina e acampamento, é organizada por muitas mãos e só será possível porque os agricultores Marcos Wagner, do Morro Reuter, e Fábio Dias, de Sapiranga, possuem algumas árvores de erva-mate para o fornecimento da planta.

Para coordenar a produção, o biólogo Moisés da Luz, multiplicador desta cultura indígena e campesina desde 2005, virá de Buenos Aires, onde reside atualmente, para compartilhar seus saberes. Além disso, indígenas de várias etnias foram convidados para integrar a vivência.

:: Erva-mate pode se tornar primeiro patrimônio cultural imaterial do RS ::

Moisés, natural de Panambi, na região Noroeste do estado, também é educador ambiental e autor da dissertação de mestrado “Carijos e Barbaquás no Rio Grande do Sul: resistência camponesa e conservação ambiental no âmbito da fabricação artesanal de erva-mate”, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Seu trabalho motivou a produção do “Carijo, o filme”, disponível no youtube do Coletivo Catarse, além de livro, cartilha e diversos eventos para a multiplicação deste resgate das culturas indígenas mbyá-guarani e kaingang.


No ano passado, o carijo foi realizado no Banco de Tempo Lomba Grande, zona rural de Novo Hamburgo / Foto: Matheus Beija Flor/Divulgação

Cultura e partilhas

Conforme o biólogo, “a produção artesanal e coletiva valoriza a arte do fazer junto, a importância de aprender esse processo de um alimento, uma bebida, de forma coletiva, além de gerar conhecimento sobre a origem da erva-mate, manejo agroflorestal, flora nativa e importância de preservar a biodiversidade”, salienta.

No sábado à noite, durante toda a madrugada enquanto cuida-se do fogo para a secagem da erva-mate, haverá roda de conversa e apresentações culturais. Um dos artistas confirmados é o músico Zé Martins, do grupo Unamérica.


O músico Zé Martins, do Grupo Unamérica, será uma das atrações culturais / Foto: Katia Marko

Esta carijada é uma promoção do Araçá – Grupo de Consumo Responsável e do Banco de Tempo Lomba Grande, com apoio de Agrofloresta Garupá, Produtos Biocêntricos e Circular Alimentos. As inscrições podem ser feitas com Camilo, pelo fone (51) 98318.7798.

* Jornalista, integrante do Banco de Tempo Lomba Grande


Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Katia Marko