TRAGÉDIA INFINITA

Massacre de Israel em Gaza: dos 8 mil palestinos mortos, 3,5 mil são crianças

População faminta saqueia armazéns da ONU enquanto bombardeios seguem em uma das áreas mais densamente povoadas do mundo

Brasil de Fato |
O pesado bombardeio de Israel segue em uma das áreas mais densamente povoadas do mundo - FADEL SENNA / AFP

A ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza entrou neste domingo (29) no 23º dia, com um saldo de mais de 9 mil mortos. Deste total, 1,4 mil são israelenses e 8 mil são palestinos, de acordo com as autoridades locais. Quase metade das vítimas palestinas, 3,5 mil, são crianças.

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As Forças de Defesa de Israel afirmaram que caças atacaram mais de 450 alvos 'associados ao Hamas' nas últimas 24 horas. Mas como Gaza é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo, a população civil palestina vem sendo amplamente atingida pelas bombas israelenses.

A organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF), que atua no território palestino, relatou que a escassez de recursos por causa do cerco israelense vem obrigando médicos a realizarem cirurgias em crianças mesmo sem anestésicos. 

"Faltam narcóticos, faltam sedativos, faltam opióides. Fazemos muitas operações com meia dose de sedativo, o que é terrível", disse Léo Cans, chefe da missão do MSF à agência de notícias AFP

Internet restabelecida em Gaza

A conexão à internet começou a ser restabelecida do lado palestino. A ONG Internet NetBlocks relatou a restauração da internet na região em uma postagem no X, antigo Twitter. 

Os serviços estavam indisponíveis desde a última sexta-feira (27), quando a Faixa de Gaza sofreu uma série de ataques aéreos israelenses.

As empresas de telecomunicações que atuam em Gaza, Paltel e Jawal, também confirmaram que os serviços de telefonia fixa e móvel foram gradualmente reativados. 

Armazéns da ONU saqueados

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), ligada à ONU, relatou neste domingo (29) que seus armazéns e centros de distribuição em Gaza foram invadidos por milhares de pessoas. 

Os invasores levaram farinha de trigo e outros itens básicos, como produtos de higiene, conforme a ONU. Um dos locais saqueados é onde a UNRWA armazena suprimentos humanitários provenientes do Egito.

Thomas White, diretor da UNRWA na Faixa de Gaza, avaliou que as tensões e o medo das pessoas foram exacerbados pelos cortes nos serviços telefônicos e na internet. 

“Este é um sinal preocupante de que a ordem civil está começando a desmoronar após três semanas de guerra e um cerco rigoroso a Gaza. As pessoas estão assustadas, frustradas e desesperadas”, disse White.

Entendendo o caso

O cerne da questão árabe-israelense é a forma como o Estado de Israel foi criado, em 1948, com inúmeros pontos não resolvidos, como a esperada criação de um Estado árabe na região da Palestina, o confisco de terras e a expulsão de palestinos que se tornaram refugiados nos países vizinhos. 

A decisão pela criação dos dois estados foi tomada no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e aconteceu sem a concordância de diversos países árabes, gerando ainda mais conflitos na região. 

Ao longo das décadas seguintes, a ocupação israelense nos territórios palestinos - apoiada pelos EUA -  foi se tornando mais dura, o que estimulou a criação de movimentos de resistência. Foram inúmeras tentativas frustradas de acordos de paz e, na década de 1990, se chegou ao Tratado de Oslo, no qual Israel e a Organização para Libertação da Palestina se  reconheciam e previam o fim da ocupação militar israelense. 

O acordo encontrou oposição de setores em Israel - que chegaram a matar o então premiê do país - e de grupos palestinos, como o Hamas, que iniciou sua campanha com homens-bomba. Após a saída militar israelense das terras ocupadas em Gaza, ocorreu a primeira eleição palestina, vencida pelo Hamas (2006), mas não reconhecida internacionalmente. No ano seguinte, o Hamas expulsou os moderados do grupo Fatah de Gaza e dominou a região. 

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou sua maior operação até então, invadindo o território israelense e causando o maior número de mortes da história do país, 1.400, além de fazer cerca de 200 reféns. A resposta israelense vem sendo brutal, com bombardeios constantes que já causaram a morte de milhares de palestinos, além de cortar o fornecimento de água e luz, medidas consideradas desproporcionais, criticadas e rotuladas de "massacre" e "genocídio" por vários organismos internacionais.

Edição: Rodrigo Durão Coelho