PETRÓLEO

Para resolver crise, Venezuela cogita compartilhar com Guiana recursos de Essequibo

Chanceler venezuelano disse que país 'busca fórmulas' para acordo e que o tema estará na reunião entre os presidentes

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |

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Tensões aumentaram após ampla vitória do 'Sim' no referendo venezuelano - Federico Parra/AFP

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, disse nesta segunda-feira (11) que o país está disposto a encontrar uma maneira compartilhada de explorar os recursos energéticos presentes na região do Essequibo, que está em disputa com a vizinha Guiana.

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A informação foi divulgada pelo chanceler após questionamento do Brasil de Fato durante café da manhã oferecido pela Chancelaria venezuelana à imprensa nacional e estrangeira.

"A Venezuela está disposta a buscar fórmulas para o desenvolvimento compartilhado, que é precisamente uma das fórmulas que estaria na mesa [de diálogo]", disse Gil.

A mesa de diálogo a que o ministro se referiu está marcada para a próxima quinta-feira (14) em São Vicente e Granadinas e deve contar com a presença dos presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali.

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Será a primeira vez que ambos mandatários se reunirão desde que a relação entre os países começou a ser estremecida pela disputa territorial. A Guiana insiste em resolver a contenda na Corte Internacional de Justiça, mas Caracas recusa a competência do tribunal e convocou um referendo para ratificar sua posição entre o eleitorado.

A tensão entre os países escalou após o descobrimento de grandes reservas marítimas de petróleo na costa do Essequibo, cuja exploração foi autorizada de maneira unilateral pela Guiana com concessões dadas a empresa estadunidense Exxon Mobil. A ação desagradou a Venezuela, que alega que as autorizações não poderiam existir já que se trata de um território em disputa.

Ainda sobre a possibilidade de um acordo petroleiro com a Guiana e a participação da PDVSA na mesa de diálogo do dia 14, o chanceler citou como exemplo o programa Petrocaribe e os acordos recentes entre a Venezuela e Trinidade e Tobago para a exploração do campo de gás Dragão, assinado em outubro após o alívio nas sanções dos EUA impulsionar as conversas.

"Não posso adiantar mais porque estamos começando um diálogo, mas posso dizer que por nossa história, a Venezuela tem elementos que provam sua disposição, política, diplomacia, intenção, com exemplos claros como Petrocaribe e os acordos com Trinidade. Esses são exemplos concretos que estão aí e que poderiam servir, na mesa de diálogo, para futuros acordos com a República Cooperativa de Guiana", disse.

Papel do Brasil

A reunião entre Maduro e Ali marcada para a próxima quinta-feira (14) foi um anúncio de distensão entre Caracas e Georgetown após semanas de discursos fortes e nacionalistas de ambos os lados.

De fato, nesta segunda-feira, durante a conversa com jornalistas, Yván Gil afirmou que "há muita expectativa" em torno do diálogo e que a prioridade é "conseguir uma distensão na situação, principalmente por parte da Guiana que vem sendo instruída pela Exxon Mobil a ameaçar a Venezuela".

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O chanceler ainda destacou e agradeceu o papel que o Brasil teve na convocação dessa reunião entre os presidentes, que deve contar com a mediação do governo brasileiro, da CELAC e da CARICOM.

"O presidente Lula tem uma liderança regional incontestável e está comprometido com a paz e com o diálogo. A sua determinação, logo depois de ver o resultado do referendo, depois de ver que o povo da Venezuela estava comprometido, foi uma posição determinante para conseguirmos o diálogo", disse o ministro.

Edição: Rodrigo Durão Coelho