crise do clima

COP28 foi marcada por um chamado urgente à inclusão das crianças nas decisões climáticas globais

Quase um bilhão de crianças, metade da população infantil global, vivem em áreas de alto risco climático

Brasil de Fato | Dubai (Emirados Árabes Unidos) |

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Na esquerda, Francisco Javier Vera Manzanares, ativista e fundador da organização Guardianes por La Vida; na direita, a ativista climática de Madagascar - Mídia Ninja

A COP28, realizada em Dubai, foi marcada não apenas por discussões técnicas sobre mudanças climáticas, mas também por um chamado urgente à inclusão das crianças nas decisões climáticas globais.

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Em entrevista ao Brasil de Fato, JP Amaral, gerente de Natureza do Instituto Alana, compartilhou informações sobre o papel das crianças na agenda climática e necessidade da participação efetiva das crianças na COP30 no Brasil.

Quase um bilhão de crianças, metade da população infantil global, vivem em áreas de alto risco climático. Essa parte da população enfrenta impactos como enchentes, secas, insegurança alimentar e poluição.

Com base nas constituições e na Convenção dos Direitos da Criança, Amaral enfatizou que "as crianças têm um direito primordial ou prioritário nas decisões ou nas políticas nacionais, como é o caso do Brasil." As crianças, portanto, não são apenas as mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, mas também detêm um direito primordial nas decisões e políticas nacionais.

A visão do Instituto Alana para a COP30 é ambiciosa e centrada na participação efetiva das crianças. A proposta defende a aprovação de um diálogo formal de especialistas na próxima reunião dos processos da COP em 2024 que aprofunde a criação de um acordo transversal para incluir as crianças em todas as decisões climáticas.

Ele espera que esta iniciativa seja incorporada nas metas dos países, especialmente na atualização das metas das Nações Determinadas Nacionalmente (NDCs). "O que a gente quer de fato, especificamente, é que exista e seja aprovada um diálogo de especialistas como se fosse organizado formalmente já na próxima reunião".

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Amaral também enfatiza a importância de uma COP30 integrada focada nas crianças, não apenas como um evento isolado, mas como um legado que impactará positivamente as discussões climáticas globais. "A COP30 tenha como legado a COP das crianças tendo uma representação expressiva de crianças antes e durante a COP."

O gerente do Instituto Alana ressaltou a necessidade de uma agenda educacional mais robusta na COP. Ele argumenta a favor de uma educação climática brasileira, baseada na natureza e nos saberes dos povos tradicionais, tornando a linguagem climática mais acessível a todos.

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Para garantir que as crianças sejam consideradas nas ações climáticas, Amaral destaca a importância de critérios específicos para apoiar medidas de adaptação e perdas e danos direcionadas às crianças. Apenas 2.5% dos fundos climáticos mundiais atualmente consideram crianças em seus critérios.

À medida que a COP28 avança, a esperança é que as crianças não apenas sejam reconhecidas, mas que suas vozes e necessidades orientem efetivamente as ações globais contra as mudanças climáticas. A COP30, segundo Amaral, se apresenta como uma oportunidade para transformar intenções em ações, "dando às crianças um papel central na construção de um futuro justo, equitativo e sustentável".

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Edição: Vivian Virissimo