Opinião

Apagão no RS: reestatizar CEEE e fortalecer os serviços públicos é a solução

Somente a reestatização da CEEE pode garantir transparência e a qualificação necessária para atender à população

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |
Milhares de vidas foram afetadas, com a população das periferias sendo as mais impactadas, evidenciando a perversidade do racismo ambiental - Foto: Jorge Leão

O Rio Grande do Sul enfrentou um momento caótico, com uma parcela significativa da população passando mais de 110 horas sem luz e água.

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Gostaria de fornecer números precisos das cidades e regiões afetadas, mas a Equatorial, que atende 73 municípios do estado, incluindo Porto Alegre, e a RGE, não divulgam essas informações regularmente, demonstrando falta de transparência e descaso com a população.  

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Mesmo sem dados específicos, podemos afirmar que milhares de vidas foram afetadas, com a população das periferias sendo as mais impactadas, evidenciando a perversidade do racismo ambiental.

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Essas pessoas estão privadas de direitos básicos, como um simples banho, perdem alimentos na geladeira, não conseguem trabalhar e ficam à espera de serviços essenciais, como internet.

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Na área da saúde, vários atendimentos foram interrompidos, incluindo retirada de medicamentos, marcação de consultas, cirurgias eletivas comprometendo vidas.

Há mais de uma década, meteorologistas e pesquisadores alertam sobre os fenômenos decorrentes das mudanças climáticas, como a tempestade que atingiu o RS em 16 de janeiro. Apesar disso, os governos liberais de Eduardo Leite (PSDB) no RS e Sebastião Melo (MDB) em Porto Alegre negam a ciência, desinvestem e desmontam empresas estatais responsáveis por serviços vitais à população, como água, energia elétrica e saúde. Dados de operadoras privadas indicam que cerca de 1,7 milhões de gaúchos permanecem sem luz.

Na Assembleia Legislativa, a bancada do PT já está coletando assinaturas para instalar uma CPI e investigar a privatização e qualidade do serviço no setor de energia. Como deputada federal, estou acompanhando de perto o caso e solicitei audiência com o Procurador Geral do Ministério Público para protocolar um pedido de investigação sobre o descumprimento do contrato entre o governo do estado do RS e a CEEE Equatorial.

Neste momento de união e solidariedade é crucial responsabilizar aqueles que causaram tantos prejuízos à sociedade. Empresas de serviços vitais e bens naturais, como energia e água, não podem ficar nas mãos de iniciativas privadas irresponsáveis que visam apenas o lucro.

Somente a reestatização da CEEE, visando o bem-estar social, pode garantir transparência e a qualificação necessária para atender à população. Isso vale também para a Corsan no estado e o Dmae em Porto Alegre.

Precisamos desses órgãos fortalecidos e públicos para atender ao povo gaúcho com respeito e dignidade. É obrigação constitucional do Estado garantir direitos fundamentais dos seus cidadãos por isso, reestatizar a CEEE e fortalecer os serviços públicos é a solução.

* Reginete Bispo. é deputada federal (PT/RS)

* Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato. 

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Katia Marko