'Privatização mata'

‘Privatização mata’: presidente do Sindicato dos Metroviários de SP exige cancelamento de concessão após morte de passageiro

Metrô operado pela ViaMobilidade já havia registrado acidente semelhante na mesma linha em 2023, sem vítimas fatais

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Estação da ViaMobilidade com um dos trens com as portas abertas
Linha 5-Lilás foi concedida à iniciativa privada em janeiro de 2018 | Crédito: ViaMobilidade/Divulgação

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizam, na tarde desta quarta-feira (7), um protesto em frente à estação Campo Limpo, na zona Sul da capital paulista. Foi nesse local, na manhã de terça-feira (6), que o repositor de supermercados Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, de 35 anos, morreu após ficar preso entre as portas do vagão e da plataforma da Linha 5-Lilás, operada pela concessionária privada ViaMobilidade.

Para Camila Lisboa, presidente do sindicato, a morte do trabalhador é consequência direta da lógica de corte de custos imposta pela privatização. “Os cartazes aqui dizem o seguinte: ‘Não foi acidente, foi negligência’ e ‘Privatização mata'”. Isso é verdade, porque para ter segurança tem que ter investimento”, afirmou em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, diretamente da manifestação. “O que a privatização faz é a lógica da redução de custo, é o lucro acima de tudo, acima da vida. Dessa vez, foi acima da vida do Lourival”, lamentou.

Lisboa cobrou do governo do estado uma investigação independente e o fim da concessão privada. “Exigimos que a ViaMobilidade seja responsabilizada, e que o governo cancele imediatamente esse contrato de concessão”, disse. Segundo ela, o acidente poderia ter sido evitado com a instalação de sensores de movimento nas portas de plataforma, tecnologia já utilizada nas linhas 1-Azul e 3-Vermelha, que continuam sob gestão da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô).

Segundo a presidente do sindicato, a morte de Lourivaldo “poderia ter sido evitada”. Ela lembra que, em 12 de julho de 2023, um acidente semelhante ocorreu na mesma Linha 5-Lilás, quando uma pessoa também ficou presa entre o trem e a plataforma, mas sobreviveu. “Desde então, a ViaMobilidade deveria ter tomado providências. Esse tipo de tecnologia, os sensores de movimento, poderiam muito bem ter sido instalados, como já acontece nas linhas 1 e 3 do metrô”, afirmou.

“Nós estamos falando de uma linha super lotada. A estação Paulista, nesse horário, é uma região muito populosa da cidade”, observou. “Agora, o presidente da ViaMobilidade fala que os sensores serão instalados até fevereiro de 2026. Mas uma vida já foi perdida”, complementou.

A Linha 5-Lilás foi entregue à iniciativa privada em janeiro de 2018, após leilão vencido pelo grupo CCR, responsável também pela operação da Linha 8-Diamante e da Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Segundo o sindicato, desde a concessão, houve aumento expressivo nas falhas operacionais e nos relatos de insegurança.

O sindicato responsabiliza o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem aprofundado a política de privatizações no estado. “Com certeza, essa morte é resultado da privatização. De lá pra cá, a insegurança no sistema aumentou muito, e tragicamente esse fato vem confirmar essa situação”, já havia dito Lisboa nesta manhã ao Brasil de Fato.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira, uma às 9h e outra às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Martina Medina

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