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‘Não adianta colocar a energia no topo e abandonar as pessoas’: vozes do Semiárido pedem transição justa na COP30

Debate defendeu que iniciativas de transição precisam colocar a população do território no foco das ações

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Para as principais entidades que atuam em regiões com clima semiárido, os projetos de transição energética precisam ser justos e colocar a população do território no foco dos debates | Crédito: Foto: Afonso Bezerra/Brasil de Fato

As áreas rurais do Semiárido brasileiro estavam no centro das discussões nesta quarta-feira (12) em um roda de conversa promovida pelo Centro Sabiá e o Cebrap, durante a programação da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climáticas (COP30), em Belém (PA).

Para as principais entidades que atuam em regiões com clima semiárido, os projetos de transição energética precisam ser justos e colocar a população do território no foco dos debates.

A transição justa é um dos temas centrais da conferência deste ano. Na Cúpula de Líderes, o presidente Lula defendeu que o mundo precisa acelerar o abandono dos combustíveis fósseis e adotar fontes de energia mais limpas.

“Os cientistas já cumpriram seu papel. Nesta COP, os negociadores devem buscar entendimento, e nós, líderes, devemos decidir se o século 21 será lembrado como o da catástrofe climática ou o da reconstrução inteligente”, declarou o presidente, na semana passada.

Nesta edição, o Brasil lançou o compromisso de Belém 4x, com a meta de quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis.

Durante o debate desta quarta-feira, as organizações ressaltaram que a Caatinga — bioma exclusivamente brasileiro — está na vanguarda da adaptação climática e que a justiça climática deve estar no centro das discussões em Belém.

“A Caatinga é a vanguarda da adaptação e da resiliência climática no Brasil. O problema é que o mundo ainda não sabe disso. Quando falamos de transição justa, estamos dizendo que o modelo de desenvolvimento atual colapsou. Insistir em combustíveis fósseis, desmatamento e extração predatória não funciona mais”, disse Carlos Magno, coordenador do Centro Sabiá.

Representando as comunidades rurais, Gisele Almeida, da rede de juventudes da Articulação do Semiárido (ASA) e moradora do assentamento Sossego (PB), chamou atenção para os impactos negativos dos empreendimentos de energia renovável e defendeu modelos alternativos que conciliem produção energética, agricultura familiar e conservação ambiental.

Estudos recentes reforçam a importância ecológica da Caatinga. Pesquisa do Observatório da Caatinga, vinculado à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), concluiu que áreas preservadas do bioma conseguem capturar mais carbono e liberar mais vapor d’água para a atmosfera, contribuindo para a regulação do clima e a manutenção dos recursos hídricos.

Apesar disso, o bioma vem sendo fortemente pressionado por empreendimentos de energia renovável, principalmente os parques solares fotovoltaicos.

Dados do MapBiomas indicam que 62% das usinas solares do Brasil estão instaladas na Caatinga, ocupando mais de 21 mil hectares em 2024. Os estados com maior concentração desses projetos são Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Norte, sobretudo em áreas de formação savânica, as mais convertidas para a instalação das grandes usinas.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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