CINEMA NEGRO

Sopapo Poético encerra o ano com o cineasta Crystom Afronário em noite de celebração negra

Sarau promovido pela Associação Negra de Cultura será na próxima terça, às 19h, no SindBancários, com entrada franca

Jovem cineasta retrata o cotidiano do Morro da Cruz, comunidade onde vive
Jovem cineasta retrata o cotidiano do Morro da Cruz, comunidade onde vive | Crédito: Gabrieli Silva

O sarau Sopapo Poético encerra o ciclo de 2025 na próxima terça-feira (25) com a participação do jovem cineasta Crystom Afronário, cuja trajetória tem ganhado destaque no cenário cultural gaúcho por registrar a vida, as lutas e a potência da periferia de Porto Alegre.

A última edição do ano ocorre às 19h, no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), no Centro Histórico, mantendo a tradição de entrada franca e de acesso aberto à comunidade. Desde 2012, o sarau promovido pela Associação Negra de Cultura (ANdC) se tornou um espaço de encontros afrocentrados, reunindo artistas, militantes, pesquisadores e moradores interessados em fortalecer expressões culturais negras e modos de convivência baseados na coletividade.

O Sopapo Poético surgiu inspirado em movimentos culturais que colocam a presença negra no centro da produção artística, construindo rodas de poesia e compartilhamento que valorizam ancestralidade, arte e memória. Ao longo dos anos, se consolidou como referência no estado por articular manifestações poéticas e performances com reflexões sobre temas sociais, sempre destacando a contribuição de artistas e pensadores negros em diversas áreas.

A trajetória de Crystom Afronário

Nascido em Porto Alegre e morador do Morro da Cruz, Crystom Afronário atua como diretor de cinema, roteirista e fotógrafo. Sua entrada no audiovisual ocorreu em 2018, quando fundou a produtora Justiça Poética, iniciativa que buscou ampliar a circulação de olhares periféricos e impulsionar novos criadores. Em 2021, sua participação no projeto “Falas Negras”, exibido pela TV Globo, contribuiu para tornar seu trabalho mais conhecido em nível nacional.

A partir de 2023, iniciou o movimento “Favela Presente”, voltado à valorização das periferias do Rio Grande do Sul por meio de séries fotográficas e vídeos documentais. Em entrevistas sobre o projeto, Afronário tem defendido a importância de inserir comunidades como o Morro da Cruz nas estatísticas oficiais, destacando que a ausência de dados impacta diretamente políticas públicas.

O cineasta foi convidado a apresentar sua experiência na primeira Expo Favela RS, onde enfatizou o papel da arte como ferramenta de organização e pertencimento comunitário. Seu curta-metragem Aconteceu à Luz da Lua, lançado em 2024, recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Gramado e, em 2025, foi reconhecido com o Prêmio de Destaque do Festival de Cinema Negro em Ação, na categoria direção. Além disso, dirigiu o documentário universitário E Depois de Fevereiro?, obra que discute os desafios e a persistência do Carnaval de Porto Alegre em meio às tensões e transformações vividas pela cidade.

Com sua presença no Sopapo Poético, a organização do sarau busca reforçar a importância de ouvir artistas que constroem narrativas enraizadas na experiência cotidiana da cidade, especialmente em territórios onde a ausência de políticas públicas e a violência estrutural contrastam com iniciativas culturais de forte impacto comunitário.

Fortalecimento das infâncias com o Sopapinho Poético

Além das performances e da participação de Afronário, a edição de novembro também contará com o Sopapinho Poético, atividade paralela voltada ao público infantil. A proposta busca aproximar crianças da cultura e da poesia, estimulando a autoestima e a construção de identidade étnica. Para a organização do Sopapinho, a participação de crianças negras em espaços culturais fortalece vínculos comunitários e amplia referências positivas na formação das infâncias. Contudo, as atividades são abertas a crianças de todas as etnias, reforçando o caráter inclusivo do sarau.

As ações envolvem brincadeiras, artes visuais, canto, contação de histórias e participação na roda de poesia principal. Educadores e artistas que colaboram com o projeto destacam que o espaço permite que as crianças se reconheçam como produtoras de cultura, incentivando a criatividade e o interesse por expressões artísticas diversas.

Economia comunitária com presença da Feira Afro

A Feira Afro também integra a programação e acompanha o Sopapo Poético desde as primeiras edições. Formada por afroempreendedores e artesãos, a feira se tornou um elemento essencial no fortalecimento econômico e cultural do evento. A diversidade de produtos e estilos, que inclui artesanato, acessórios, vestuário e itens artísticos, reforça a importância do empreendedorismo negro como instrumento de autonomia financeira e afirmação identitária.

Organizadores da feira ressaltam que a iniciativa aproxima o público dos produtores locais, estimula a circulação de renda dentro da comunidade e contribui para divulgar trabalhos que historicamente enfrentam dificuldades de acesso ao mercado tradicional. A presença da feira também é vista como parte do ambiente acolhedor do sarau, ampliando a interação entre artistas, público e empreendedores.

Serviço

Sopapo Poético – Edição de Novembro
Convidado: Crystom Afronário (cineasta, fotógrafo e roteirista)
Data: 25 de novembro, terça-feira
Horário: 19h
Local: Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região – Rua General Câmara, 424, Centro Histórico
Atividades paralelas: Sopapinho Poético (para crianças) e Feira Afro
Realização: Associação Negra de Cultura (ANdC)
Entrada franca

Editado por: Katia Marko

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