Fraude

Deputados do DF cobram investigação de recursos públicos para socorrer Banco Master

Operação revelou indícios de esquema fraudulento entre as instituições

No audio source provided.
Em sessão esvaziada na CLDF, parlamentares pedem investigação das transações envolvendo o BRB e Master
Em sessão esvaziada na CLDF, parlamentares pedem investigação das transações envolvendo o BRB e Master | Crédito: Carlos Gandra/Agência CLDF

Após a investigação da Polícia Federal que culminou na prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a bancada do PT e do Psol na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) tentam articular a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar operações financeiras entre o Banco de Brasília (BRB) e a instituição privada.

O requerimento aponta suspeita de uso indevido de recursos públicos para socorrer o Master durante a crise de liquidez, caracterizando risco ao erário e violação aos princípios da administração pública.

“Há indícios de que a operação poderia representar uma socialização de prejuízos privados com recursos públicos, além de suspeitas de ingerência política e favorecimento indevido, conforme apontado por parlamentares e pela imprensa”, diz o documento.

Até o momento, o requerimento conta com seis assinaturas: Fábio Félix (Psol), Max Maciel (Psol), Ricardo Vale (PT), Dayse Amarílio (PSB), Gabriel Magno (PT) e Chico Vigilante (PT). Para que a CPI seja instaurada na Casa, é necessário, no mínimo, a aderência de oito deputados.

“Nós estamos protocolando o requerimento da CPI, recolhendo assinaturas, faltam mais duas, mas nós acabamos de protocolar no Tribunal de Contas um requerimento para pedir imediatamente o afastamento de toda a direção do BRB. A direção do BRB não tem condições mais de tocar o ponto. Aliás, o governador deve respostas para essa cidade. É muito grave o que está acontecendo”, disse Magno.

Durante a sessão desta terça-feira (18), que ficou esvaziada sem a presença de parlamentares da base governista, os deputados da oposição falaram da urgência em instalar a CPI.

Oposição alertou sobre compra do Master

Os parlamentares também criticaram a tentativa do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), de defender a operação de compra do Master sob a justificativa de “interesse público” para evitar riscos sistêmicos e garantir estabilidade ao mercado financeiro, e que a transação fortaleceria o banco estatal.

“Alguma coisa precisa ser feita, até porque quem idealizou essa compra foi o governo, o governador do Distrito Federal. Esse projeto de lei não chegou voando na Câmara Legislativa do DF. Esse projeto de lei foi enviado pelo governador Ibaneis Rocha. E pasmem, ele foi aprovado nessa casa em tempo recorde”, argumentou Fábio Félix.

Em nota, a bancada do PT sustenta que a prisão de Vorcaro confirma a denúncia feita anteriormente: “o plano de compra do Banco Master pelo BRB, articulado por Ibaneis/Celina, não era um ‘negócio de desenvolvimento’, mas uma operação fraudulenta e lesiva aos cidadãos do Distrito Federal.”

O deputado distrital Chico Vigilante, líder da bancada petista, disse que a oposição foi repreendida quando se posicionou contra a proposta. “Nós alertamos, e aqui tinha muitos deputados que diziam que era um bom negócio. Diziam que o governo estava certo. Diziam que estávamos atrapalhando o desenvolvimento”, afirma.

Contratos falsos

Além da investigação da tentativa de compra, há a suspeita de um esquema fraudulento de R$12,2 bilhões entre as instituições através da compra de títulos de créditos falsos entre janeiro e maio deste ano. Segundo apuração do jornal O Globo, o BRB e o Master fabricaram contratos fictícios para justificar a transação. Dos R$ 12,2 bilhões transferidos, R$ 6,7 bilhões foram justificados por meio de contratos falsos, e outros R$ 5,5 bilhões em prêmios.

De acordo com o jornal Metrópoles, a Justiça do DF autorizou a arrecadação e o bloqueio de bens das instituições. A decisão definiu o bloqueio no montante total de R$12,2 bilhões. Os possíveis envolvidos no esquema também foram alvos da determinação judiciária.

Diante das investigações, o GDF optou por afastar o presidente do BRB do cargo, Pedro Henrique Costa. Quem assume o posto é Celso Eloi de Souza Cavalhero, superintendente da Caixa Econômica em Brasília. Além da troca, a gestão afirmou que medidas internas adicionais serão adotadas para reforçar os mecanismos de governança, compliance e controle interno.

Em comunicado oficial, o governo alegou que o banco estatal mantém sua capacidade plena de operação, com total segurança administrativa e financeira e que não há qualquer impacto estrutural na liquidez, na solvência ou na continuidade operacional da instituição.

“A administração pública distrital acompanhará de forma permanente as apurações e colaborará com todas as instâncias regulatórias e fiscalizatórias. O objetivo é assegurar a integridade dos processos, preservar o patrimônio público e fortalecer a confiança no sistema financeiro do Distrito Federal”, diz a nota.

Entenda o caso

Desde março deste ano, o BRB demonstrava interesse em adquirir 58% do capital total do Banco Master, em uma negociação estimada entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. A negociação despertou preocupações sobre um possível prejuízo aos cofres públicos do Distrito Federal, assim como dos interesses políticos e pessoais que estariam por trás da operação.

Em abril, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou um inquérito civil para investigar as circunstâncias da operação e os possíveis impactos fiscais. A Justiça do DF acatou o pedido do órgão e barrou a transação.

Na decisão, o juiz Carlos Fernando Fecchio dos Santos, da 1ª Vara da Fazenda Pública, entendeu que a liminar de suspensão deve ser concedida para evitar “prejuízos futuros à coletividade”. Apesar de impedir a compra definitiva, o magistrado autorizou que os procedimentos preparatórios para aquisição do banco paulistano continuem.

Mesmo em meio às polêmicas envolvendo a instabilidade financeira do banco, a CLDF aprovou, em sessão única no dia 19 de agosto, a compra do Master. A aprovação em plenário, que se deu com 14 votos a favor e 7 contra, foi considerada uma “vergonha” por parlamentares da oposição.

:: Receba notícias do Brasil de Fato DF no seu Whatsapp ::

Editado por: Clivia Mesquita

|

Newsletter