A resposta para a crise climática está nos povos das florestas. Está na população que vive nos locais que precisam ser preservados. A resposta das questões levantadas dentro dos salões assépticos e frios da zona azul da COP30 estava, na verdade, nas ruas quentes e contagiantes de Belém do Pará. Naqueles locais que os governantes insistem em não estar, não escutar, não valorizar. Acham-se donos das respostas e dos rumos do mundo, e demandam grades e exércitos armados para os separarem do povo.
Acontece que a reversão do caos climático não se dá em uma mesa de escritório, mas, sim, no manejo da floresta. Sociobioeconomia foi a palavra da vez durante a COP30. Valorizar e promover as ações dos povos-floresta em suas atividades extrativistas e artesanais a partir de insumos da floresta é o caminho para garantir a preservação da biodiversidade e de árvore em pé.

Os locais a serem preservados são habitados, e essas populações precisam ser protegidas, já dizia Chico Mendes. Não trilharemos um caminho reverso às mudanças climáticas vestindo um terno, e sim um cocar. Porém, o apoio aos povos passa por acordos internacionais e documentos assinados. Mas é a população que habita os biomas que precisa ser ouvida e priorizada.
Andando paralelamente às negociações entre autoridades da COP30, as manifestações sociais roubaram a cena e pintaram as ruas de Belém com as cores da floresta. A Cúpula dos Povos reuniu indígenas, movimentos sociais, agricultores e estudantes. A marcha unificada extravasou protestos, criatividade, alegria, frases impactantes, lutas históricas e o que de melhor o Brasil tem: o povo. Não há revolução sem alegria e poesia, e isso o brasileiro tem muito a ensinar.
Veja a seguir imagens da fotógrafa Clarissa Londero desses momentos que ficarão para a história como a COP mais popular já vivida até então.














* Fotógrafa
** Este é um artigo de opinião e não representa necessariamente a linha editorial do Brasil do Fato.
