Israel planeja se apropriar de partes de um importante sítio histórico arqueológico da era romana na Cisjordânia ocupada, segundo um documento do governo. No local, colonos instalaram na quinta-feira (20) um novo posto avançado durante a noite, no mais recente exemplo de roubo de terras palestinas por Israel.
A medida ocorre em um momento em que Israel enfrenta pressão internacional para reprimir a violência desenfreada dos colonos, que ocorre com impunidade e, muitas vezes, com o apoio dos militares, no território palestino.
A Administração Civil de Israel anunciou sua intenção de expropriar grandes extensões de Sebastia, um importante sítio arqueológico da era romana na Cisjordânia ocupada. O Peace Now, grupo de monitoramento contra os assentamentos, afirmou que o sítio tem cerca de 180 hectares (ou 450 acres) – e se tornaria a maior apreensão de terras arqueologicamente significativas por Israel.
A ordem israelense divulgada em 12 de novembro lista parcelas de terra que pretende confiscar na região de Sebastia, segundo o grupo. O jornal israelense Haaretz noticiou que a intenção é confiscar terras privadas no norte da região ocupada com o objetivo de desenvolver o sítio arqueológico de Sebastia.
Os moradores palestinos tiveram apenas 14 dias para apresentar suas objeções à decisão, acrescentou o jornal. Acredita-se que a capital do antigo reino da Samaria esteja sob as ruínas de Sebastia, e cristãos e muçulmanos acreditam que seja o local onde João Batista foi sepultado.
Israel anunciou planos para transformar o sítio em uma atração turística. As escavações já começaram e o governo destinou mais de 30 milhões de shekels (US$ 9,24 milhões ou R$ 50 milhões) para o desenvolvimento do local, segundo a organização Paz Agora e outro grupo de direitos humanos.
A maior parcela de terra histórica anteriormente confiscada por Israel tinha 70 acres em Susya, uma vila no sul da Cisjordânia, informou a Paz Agora.
Palestinos sem defesa
A medida ocorre enquanto colonos israelenses comemoram a criação de um novo assentamento ilegal perto de Belém, continuando seus ataques contra civis palestinos e suas propriedades na Cisjordânia ocupada. Tais ataques diários não são reprimidos por Israel.
Na sexta-feira (21), colonos realizaram uma série de ataques em todo o território, incendiando propriedades e agredindo palestinos. Em Huwara, ao sul de Nablus, dezenas de colonos de um assentamento ilegal próximo incendiaram um ferro-velho de veículos após invadirem a parte norte da cidade, disseram fontes locais à agência de notícias Wafa.
Enquanto isso, a oeste de Ramallah, colonos acompanhados por soldados israelenses espancaram quatro palestinos que tentavam remover uma barreira de terra que os colonos haviam colocado em frente à sua fazenda perto da vila de Kafr Nima. Os quatro palestinos foram então presos pelas forças israelenses.
Em outro incidente, as forças israelenses mataram dois adolescentes palestinos no bairro de Kafr Aqab, em Jerusalém Oriental ocupada, durante uma incursão na sexta-feira, de acordo com a agência de notícias Wafa.
O relatório afirma que equipes da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino trataram dois adolescentes, de 16 e 18 anos, que sofreram ferimentos graves causados por munição real durante o ataque das forças de segurança a Kafr Aqab. Os feridos foram transferidos para um hospital, onde foram declarados mortos.
Enquanto isso, a Human Rights Watch declarou que Israel pode ter cometido crimes de guerra ao expulsar à força 32 mil palestinos de três campos de refugiados na Cisjordânia neste ano.
