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Se nas mesas de negociações da COP30 há dúvidas, corredores anunciam: capitalismo é causa da crise climática

Coalização de movimentos populares internacionais e povos indígenas cobram respeito

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Plenária dos Povos internacional denuncia mercantilização dos bens comuns e cobrou soluções.
Plenária dos Povos denunciou mercantilização dos bens comuns e cobrou soluções. | Crédito: Reprodução

Se nas mesas de negociações ainda há muita indecisão, entre os movimentos populares e organizações em defesa de justiça climática o consenso é claro, não há justiça climática sem justiça social e a COP30 precisa apresentar ações concretas até o encerramento da conferência.

Nos corredores, ao longo de todo o dia que marca o encerramento da conferência, protestos foram registrados em diversos momentos, especialmente com relação às pautas do fim dos combustíveis fósseis e demarcação de terras indígenas.

Durante a Plenária dos Povos, tradicional nas últimas edições da COP, que aconteceu na tarde desta sexta-feira (21) na Zona Azul, Zahra al-Hilal, ecofeminista palestina e iraquiana, que acompanhou dois genocídios contra seu povo e sua família — durante o genocídio de Israel contra a Palestina e a invasão do Iraque liderada pelos EUA — questiona os acordos que não garantem justiça climática e paz mundial.

“Esta não é uma emergência climática. É uma emergência de paz. Porque enquanto não desmantelarmos os sistemas que lucram com a nossa morte, não haverá justiça para os vivos e nem liberdade para a própria Terra”, explica Zahra.

Participação popular e protestos marcam último dia de COP30 nos espaços oficiais. Foto: Reprodução

A atividade foi convocada pela Climate Action Network International (CAN), rede de mais de 1.900 organizações da sociedade civil com atuação em mais de 130 países que atuam para combater a crise climática e promover a justiça social.

Em pauta durante todos os discursos, a urgência de garantir a redução nas emissões de gases de efeito estufa e a importância de ser reincorporado ao Pacote de Belém o fim dos combustíveis fósseis.

“Apesar da expansão das energias renováveis, não houve redução nas emissões de gases de efeito estufa. A expansão das fontes de produção de energia tornou-se o novo espaço para a acumulação de capital. Por fim, afirmamos que a privatização, a mercantilização e a financeirização de bens comuns e serviços públicos são diretamente contrárias aos interesses do povo”, explica Kirtana Chandrasekaran, coordenadora de Programas Internacionais de Justiça Climática na Friends of the Earth International, maior federação mundial de justiça ambiental.

Ao final da Plenária dos Povos, também foi lida a declaração final da Cúpula dos Povos, encontro autônomo organizado pelos movimentos populares durante a COP30, que entre 22 pontos, que vão de denúncias a demandas concretas, destaca a importância da participação social e fortalecimento da união internacional dos povos.

“Não teremos nenhum tipo de transição enquanto a extrema direita e o fascismo estiverem rondando os espaços da COP30. Precisamos fortalecer os movimentos de luta, os sindicatos, os povos originários, os quilombolas, as mulheres que estão na base da pirâmide cuidando da vida, do planeta e das pessoas, pontuou Vera Paoloni, da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Editado por: Maria Teresa Cruz

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