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Reações globais: imprensa internacional repercute início de cumprimento de prisão de Bolsonaro

Jornais classificam ex-presidente como de extrema direita, destacam tentativa de romper a tornozeleira e a cela de 12 m²

Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília
Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília | Crédito: Sergio Lima / AFP

Veículos internacionais de notícias repercutiram nesta terça-feira (25) o início do cumprimento da pena de Jair Bolsonaro. O ex-presidente servirá a sentença de 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

“O ex-presidente começará a cumprir pena em quarto de 12 metros quadrados em delegacia de polícia em Brasília após expirar o prazo para recursos”, diz o britânico The Guardian. “O populista de extrema direita, que governou a maior democracia da América Latina de 2019 a 2022, foi condenado em setembro, após o Supremo Tribunal Federal considerá-lo culpado de liderar uma conspiração criminosa para impedir que seu rival de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, assumisse o poder”, segue o jornal.

“O plano – que envolvia o assassinato de Lula e de seu vice, Geraldo Alckmin – fracassou depois que chefes militares se recusaram a participar, e o tribunal posteriormente condenou Bolsonaro e seis cúmplices por tentarem ‘aniquilar’ a democracia brasileira e mergulhar o país de volta à ditadura.”

O The New York Times diz que “o Supremo Tribunal Federal do Brasil ordenou que o ex-presidente Jair Bolsonaro comece a cumprir pena de prisão por conspiração para permanecer no poder após a derrota nas últimas eleições”.

“Analistas esperam amplamente que o sr. Bolsonaro permaneça na prisão por um curto período antes que o Supremo Tribunal Federal permita que ele cumpra o restante de sua pena em prisão domiciliar, embora ainda não esteja claro quanto tempo ele poderá passar atrás das grades.”

O jornal estadunidense destaca que a defesa de Bolsonaro afirmou que suas “crises frequentes de soluços e vômitos”, seriam motivo para que ele cumprisse a pena em prisão domiciliar.

O site russo de notícias em espanhol, Canal RT Notícias, trouxe que “o ex-presidente já está detido por outra acusação e permanece em prisão preventiva desde sábado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após tentar danificar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda”.

“Essa medida decorre da suposta violação de sua monitoração eletrônica e do risco de fuga detectado pela Polícia Federal, reforçado por uma vigília organizada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, em frente à sua residência.”

O argentino Clarín, destacou que “o líder de extrema direita, que governou de 2019 a 2022, negou perante um juiz no último domingo que sua intenção ao tentar danificar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda improvisado fosse fugir”.

“O ex-presidente atribuiu o incidente à ‘paranoia’ e ‘alucinações’ causadas por medicamentos que utiliza para tratar depressão e outros problemas de saúde.”

Análises

Nos últimos dias, veículos internacionais analisaram a derrocada judicial de Jair Bolsonaro. O britânico The Independent lembrou que “a condenação de Bolsonaro traz alívio para alguns brasileiros que perderam entes queridos para a Covid-19”.

“Em 2021, epidemiologistas da Universidade Federal de Pelotas estimaram que 4 em cada 5 dessas mortes poderiam ter sido evitadas se o governo Bolsonaro tivesse apoiado medidas de contenção e acelerado a compra de vacinas”, disse o jornal no último domingo (23).

“Bolsonaro ignorou os repetidos apelos do governo para a assinatura de contratos adicionais de vacinas. Ele questionou publicamente a eficácia das vacinas e zombou dos termos dos contratos, chegando a sugerir que os beneficiários da Pfizer não teriam amparo legal caso ‘se transformassem em jacarés’. O Brasil enfrentou escassez de vacinas e as doses foram liberadas em fases, de acordo com a idade e o risco à saúde.”

Análise na CNN International assinada por Julia Vargas Jones disse que “Bolsonaro testou a democracia brasileira. A Suprema Corte interveio.”

“Jair Bolsonaro, já condenado por conspiração para um golpe de Estado e sentenciado a 27 anos de prisão, foi detido preventivamente após o Supremo Tribunal Federal afirmar que ele tentou adulterar sua tornozeleira eletrônica e que representava risco de fuga.”

“Essa foi uma das respostas mais extraordinárias que uma democracia pode empregar contra um ex-líder. Contudo, considerando a trajetória atual do Brasil, não foi de todo surpreendente: a presidência e o período pós-presidencial de Bolsonaro têm repetidamente levado as instituições do país a operar no limite de sua capacidade.”

O The New York Times trouxe no domingo análise do correspondente Jack Nicas com o título “O Brasil desafiou Trump e venceu”.

“O presidente Trump tentou impedir que o ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, fosse preso. Ele falhou e agora está seguindo em frente”, se referindo ao fato de que o presidente estadunidense não vem comentando o assunto com entusiasmo.

Editado por: Rodrigo Durão Coelho

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