Crise na Ucrânia

Chefe de gabinete de Zelensky é exonerado em meio a escândalo de corrupção na Ucrânia

Órgão anticorrupção havia feito buscas na casa de Andriy Yermak horas antes; escândalo atinge alto escalão do governo

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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, realiza uma coletiva de imprensa de fim de ano em Kiev, em 19 de dezembro de 2023
Não quero que ninguém tenha dúvidas sobre a Ucrânia”, declarou o presidente ucraniano antes de anunciar a renúncia do seu chefe de gabinete | Crédito: Sergei Supinsky/AFP

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta sexta-feira (28) a exoneração do chefe de seu gabinete presidencial, Andriy Yermak, acusado de envolvimento em um grande escândalo de corrupção no país.

No começo desta sexta-feira (28), investigadores do Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (Nabu) e da Procuradoria Especializada Anticorrupção (Sapo) realizaram buscas na residência de Yermak. Essas buscas foram resultado do trabalho dessas agências anticorrupção no “Caso Mindich”, envolvendo suborno nos mais altos escalões do governo.

Algumas horas depois, Zelensky anunciou que Yermak havia renunciado ao cargo de chefe do gabinete presidencial. Em um pronunciamento na noite desta sexta-feira (28), o presidente ucraniano anunciou a renúncia de Yermak.

“Não quero que ninguém tenha dúvidas sobre a Ucrânia. Portanto, hoje serão tomadas as seguintes decisões internas. Primeiro, haverá uma reformulação do Gabinete da Presidência da Ucrânia. O chefe do Gabinete, Andriy Yermak, apresentou sua renúncia”, anunciou o presidente ucraniano.

Ao longo de cinco anos no cargo, Yermak ascendeu de ex-assessor presidencial ao topo da política ucraniana, sendo conhecido nos bastidores como um “braço direito” do presidente ucraniano. Andriy Yermak chefiava o Gabinete do Presidente da Ucrânia desde fevereiro de 2020, sendo considerado um dos principais aliados de Zelensky.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao comentar o caso nesta sexta-feira (26), declarou que o escândalo de corrupção na Ucrânia poderia complicar as negociações com os EUA. Ele observou que as consequências desse escândalo poderiam ser muito graves para o sistema político ucraniano e também poderiam dificultar o processo de resolução pacífica do conflito.

Entenda o contexto

A demissão de Yermak ocorreu em meio a um escândalo de corrupção de grande repercussão na Ucrânia, que envolve acusações de lavagem de aproximadamente US$ 100 milhões no setor energético do país.

Na manhã de sexta-feira, 28 de novembro, o Escritório Nacional Anticorrupção (Nabu) realizou buscas em seu apartamento. Segundo Yermak, ele “cooperou plenamente” com os investigadores e concedeu-lhes “acesso irrestrito ao apartamento”.

A busca no apartamento de Yermak e sua demissão ocorreram duas semanas após o Nabu divulgar a exposição de uma “organização criminosa de alto nível” que atuava no setor energético ucraniano.

As buscas da operação incluíram as casas do empresário ucraniano Timur Mindich, do Ministro da Justiça, Herman Galushchenko, e nas instalações da empresa Energoatom.

A investigação aponta Timur Mindich como figura central do grande esquema de corrupção. Ele é tido como um aliado próximo ao presidente Volodymyr Zelensky. O empresário deixou o país algumas horas antes da operação dos órgãos anticorrupção.

De acordo com os investigadores, ele e seus cúmplices criaram um esquema que lhes permitia receber propinas referentes a uma grande parte das compras da empresa estatal Energoatom, operadora de todas as usinas nucleares ucranianas.

O líder ucraniano anunciou planos para realizar consultas sobre a candidatura de um novo chefe do gabinete presidencial. Zelensky também instruiu o Conselho de Ministros a garantir a aprovação do orçamento de 2026 e a apresentar candidatos para os ministérios da Energia e da Justiça.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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