A 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos abre, nesta quarta-feira (3), sua programação em São Paulo com uma seleção que coloca no foco do debate a emergência climática e as lutas territoriais no país. Com entrada gratuita, a iniciativa realizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania chega também a outras 11 capitais e destaca produções de cineastas indígenas, quilombolas e ribeirinhos, até a próxima quarta (10).
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a produtora da Mostra em São Paulo e coordenadora de comunicação nacional, Amanda Guedes, explicou que a curadoria deste ano foi construída a partir de “longas e curtas-metragens que trazem esse ponto de vista, sobretudo, das comunidades tradicionais sobre o meio ambiente e o território, lutas e conflitos do ponto de vista hídrico, da terra, do cuidado com o planeta e as florestas”.
A abertura na capital paulista acontecera às 20h30 no Espaço Petrobras de Cinema, com coffee break preparado pelas Cozinhas Populares do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a exibição do filme Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá, de Sueli Maxakali, homenageada desta edição. “Ela é a nossa grande homenageada, uma cineasta indígena, professora, multiartista”, destaca Guedes. A mostra é assinada por Beatriz Furtado, professora do Instituto de Cultura e Artes da Universidade Federal do Ceará, e por Janaína de Paula, jornalista e realizadora audiovisual.
A programação continua ao longo da semana com sessões infantis, debates e temáticas que atravessam conflitos fundiários, devastação ambiental e o impacto das mudanças climáticas. Entre os destaques, a produtora cita Ainda há moradores aqui, sobre o crime ambiental da Braskem em Alagoas. “Extremamente importante. Tem sido muito recomendado, e as pessoas têm saído bastante emocionadas dessa sessão”, relata.
Para a Guedes, a circulação da Mostra por todas as regiões reforça a diversidade de perspectivas sobre a crise climática. “Cada local tem uma história, em cada local os debates são diferentes. O impacto dessa emergência climática em cada local também é diferente”, diz. Segundo ela, os filmes selecionados refletem essa pluralidade por serem produzidos por realizadores de todo o país. “Cada um traz o seu ponto de vista, acho que isso enriquece muito o debate”, observa.
A produtora também celebrou o retorno do público às salas de cinema. “É muito bom ver a juventude voltando às salas de cinema, pessoas de todas as idades frequentando o cinema, debatendo, tendo essa experiência coletiva”, comemora. Para acompanhar a agenda completa, ela orienta o público a acessar o Instagram @mcdh.oficial e as redes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Informações específicas de cada cidade também podem ser encontradas nos sites dos exibidores locais.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
