Doutrina Monroe

Rússia reconhece ‘conformidade’ com doutrina de Estratégia de Segurança dos EUA

Novo documento de política externa de Washington poupa críticas à Rússia e defende a não expansão da Otan

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O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em frente a uma tela que exibe o presidente russo, Vladimir Putin, discursando em sua coletiva de imprensa anual.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em frente a uma tela que exibe o presidente russo, Vladimir Putin, discursando em sua coletiva de imprensa anual. | Crédito: NATALIA KOLESNIKOVA / AFP

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou nesta segunda-feira (8) que Moscou “acolhe favoravelmente” a linguagem da nova estratégia de segurança nacional dos EUA referente à não expansão da Otan. Ele destacou, no entanto, que a Rússia acompanhará de perto a forma como o documento será implementado na prática.

De acordo com o porta-voz presidencial russo, o novo documento dos EUA “contém uma linguagem contrária ao confronto e favorável ao diálogo e à construção de boas relações”. Peskov destacou que “as nuances que vemos no novo conceito certamente agradam” a Rússia.

“Por um lado, isso é encorajador, mas, por outro, sabemos que, às vezes, embora tudo seja escrito de forma muito bonita e conceitual, o que se chama de ‘estado profundo’ deles age de maneira diferente. Portanto, precisamos acompanhar com muita atenção a forma como esse conceito será implementado”, acrescentou Peskov.

A administração de Donald Trump divulgou na última quinta-feira (4) o documento de Estratégia Nacional de Segurança dos EUA, que estabelece o objetivo de defender a não expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que representa uma das principais demandas de segurança da Rússia em relação à aliança militar ocidental.

Além disso, a nova estratégia de Washington faz referência à Doutrina Monroe, política do século 19 que defendia uma influência direta dos EUA sobre a América Latina. O texto fala especificamente em “restaurar a preeminência estadunidense no Hemisfério Ocidental”, citando a América Latina como área de interesse.

No que diz respeito à Rússia, a doutrina estadunidense tira o foco de Moscou – em comparação com os documentos de segurança estratégica dos últimos anos – e afirma que o processo de paz na Ucrânia é do interesse fundamental dos EUA, assim como a restauração da estabilidade estratégica com a Rússia.

Zelensky se reúne com líderes ocidentais

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, se reuniu nesta segunda-feira (8) com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz, em Londres. O principal tema do encontro foi o resultado de três dias de negociações que a delegação ucraniana manteve na Flórida com representantes do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre os termos para o fim da guerra na Ucrânia.

Após o encontro, Zelensky afirmou que as partes concordaram com uma posição comum sobre garantias de segurança e discutiram o trabalho diplomático conjunto com os EUA.

“Hoje discutimos em detalhes nosso trabalho diplomático conjunto com o lado americano, concordamos com uma posição comum sobre a importância das garantias de segurança, da reconstrução e dos próximos passos”, declarou Volodymyr Zelensky.

Segundo o presidente ucraniano, “o mais importante hoje é a unidade entre a Europa e a Ucrânia, assim como a unidade entre a Europa, a Ucrânia e os Estados Unidos”.

O enviado especial dos EUA para a Ucrânia, Keith Kellogg, declarou no último domingo (07) que o fim da guerra entre o Moscou e Kiev está “muito próximo”. De acordo com ele, os dois pontos centrais que precisam ser definidos para uma resolução do conflito é o destino da região do Donbass e o futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia, que atualmente está sob controle russo.

Editado por: Luís Indriunas

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