Os Arquivos da Vó Alda é um livro ficcional de Maria Luíza Castilhos que conta histórias de pessoas que viveram violência de Estado durante o período da ditadura militar no Brasil. Esses relatos serão narrados agora em uma contação cênica que ocorrerá nesta quinta-feira (11), às 19h30, na Casa MEL – Arte, Cultura e Comunicação, região central de Porto Alegre (RS).
A obra será apresentada pela atriz Marta Haas. Ao término do espetáculo, haverá uma conversa pública com a autora, membros do Coletivo Testemunho e Ação e do Instituto SIG – Psicanálise & Política sobre a temática e como utilizar o livro-dispositivo Os Arquivos da Vó Alda. A entrada será gratuita e haverá intérprete de Libras.
A história apresenta uma metáfora do silenciamento e da não transmissão: a personagem Vó Alda subitamente sofre um mal, sendo diagnosticada com Alzheimer. Ela passa a contar relatos e citar pessoas até então desconhecidas da filha e dos netos. O método da narrativa oral, aliada a elementos teatrais, visa despertar o imaginário do público para a temática da violência de forma lúdica e inventiva.
Obra ficcional de testemunhos reais

A atividade faz parte do projeto Isso Também Acontece Aqui, que possui como tema a violência de Estado do passado e do presente. A iniciativa também produziu a palestra-performance Dopinho: um lugar de memórias sensíveis.
Nesta segunda frente de ação, o projeto traz a atriz Marta Haas em contação cênica do livro ficcional de Maria Luíza Castilhos Os Arquivos da Vó Alda. Na obra, a autora reuniu diversas narrativas produzidas por integrantes do grupo Clínicas do Testemunho.
Ligado à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, o coletivo visa acolher os testemunhos de pessoas afetadas pela ditadura civil-militar no Brasil, discutindo os efeitos psíquicos, sociais e políticos da violência de Estado.
Além de oferecer acolhida a sujeitos afetados pela ditadura através de dispositivos clínicos como escuta individual e grupos terapêuticos, tem como objetivo capacitar profissionais que atuam junto a pessoas e grupos afetados pelo terror de Estado ditatorial e pela violência de Estado atual. Também produz conhecimento, utilizando de publicações e outros meios, colaborando com instituições que se ocupam dessas questões na América Latina e no mundo.
O grupo se propõe a relatar o testemunho das histórias de vida das pessoas que viveram o regime da ditadura civil-militar brasileira de 1964 a 1985 e dos brasileiros que sofrem com perdas, lutos não elaborados, desigualdade social, vulnerabilidade, racismo, extermínio das populações indígenas, ou seja, as mais distintas e perversas faces da violência do Estado atual.
Política, afeto e memória

Maria Luíza Castilhos, autora do livro, é psicóloga, ex-integrante do Clínicas do Testemunho, integrante do Coletivo Testemunho e Ação, da Sigmund Freud Associação Psicanalítica e do Instituto SIG.
Marta Haas, é atriz e performer, mestre e doutora em Educação, integrante da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e do Coletivo Testemunho e Ação.
O Instituto SIG – Psicanálise & Política atua na intersecção entre psicanálise, política, memória e transformação, investindo na potência de convocação e pertencimento. Como afirmam em seus princípios: “Passa pelo sujeito, mas é sempre coletivo”.
O projeto Isso Também Acontece Aqui é produzido pela Artéria Filmes e conta com apoio do Instituto SIG, do Coletivo Testemunho e Ação e da Casa MEL – Arte, Cultura e Comunicação. Foi selecionado pelo Edital Sedac nº 28/2024 (Cultura e Educação) PNAB-RS.
Serviço
Os Arquivos da Vó Alda – contação cênica
Data: 11 de dezembro (quinta-feira)
Horário: 19h30
Local: Casa MEL – Arte, Cultura e Comunicação – Rua José do Patrocínio, 698 – Cidade Baixa, Porto Alegre
A atividade possui entrada franca e contará com intérprete de Libras.
