Nesta quarta-feira (10), movimentos populares convocam um ato no centro do Rio em solidariedade ao deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) que foi agredido e retirado à força por policiais legislativos da Câmara de Deputados. O parlamentar ocupou a cadeira da presidência em protesto contra o processo de cassação do seu mandato.
Profissionais da imprensa também foram retirados do plenário, e o sinal da TV Câmara saiu do ar. O episódio de violência na última terça (9) mobilizou o chamado da militância e de apoiadores de Braga às ruas.
A mobilização no Rio está prevista para 12h no Largo da Carioca, onde também acontece a Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes do MST. Além do Rio, um ato em Brasília está previsto para às 14h.
“Golpe político”
A reação da Polícia Legislativa e do presidente da casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), contrasta de quando parlamentares da extrema direita ocuparam a mesa diretora em protesto à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em coletiva de imprensa, Glauber Braga disse que ocupou a mesa para mostrar que não deveria se render em um “golpe político” contra ele.
“Eu gostaria que o Motta tivesse dado 1% do tratamento que tiveram os deputados que sequestraram a mesa da Câmara por 48 horas que estavam aliados a um deputado que está fora do país. Naquele momento não faltou negociação. O que acontece agora é uma cassação golpista. Para quem não entra no jogo deles é porrada”, disse.
O mandato do parlamentar fluminense é alvo de representação no Conselho de Ética desde abril de 2024. O pedido teve início com um bate-boca que terminou em agressão física a um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) na Câmara. Desde então, Braga denuncia ser alvo de perseguição por apontar irregularidades ligadas ao orçamento secreto.
Anistia a golpistas
Na madrugada, a Câmara aprovou a chamada PL da Dosimetria, para reduzir a pena de Bolsonaro e demais golpistas condenados do 8 de janeiro. Movimentos popularem denunciam que o PL promove uma anistia disfarçada. O ex-presidente condenado a 27 anos e três meses pode ser liberado com 6 anos de reclusão. Pela norma atual, ele deixaria a prisão em regime fechado somente em 2033.
A votação se deu dois dias depois do senador Flávio Bolsonaro sugerir que a sua candidatura à presidência teria “um preço”. O texto do PL da Dosimetria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado antes de ir ao plenário.
Serviço
Ato Glauber Fica
Data: quarta (10)
Horário: 12h
Local: Largo da Carioca, centro do Rio

