O Senado mexicano aprovou, na quarta-feira (10), o aumento das tarifas de importação de uma dúzia de países, entre eles China e Brasil, que se torna o país não asiático mais afetado pela medida. A proposta inicial incluía taxas de até 50%, mas a maioria foi reduzida para cerca de 20% ou 35%, e apenas em alguns casos a taxa original foi mantida.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o México importou no ano passado US$ 11,7 bilhões (R$ 635 bi) do Brasil, dos quais US$ 1,7 bilhão (14,7%) podem estar sujeitos às novas tarifas. No caso do Brasil, a medida atinge 232 produtos e 16 setores da indústria de transformação. Veículos automotores respondem por 53,8%, seguidos por borracha e plásticos (14,3%), máquinas e equipamentos (7,9%), químicos (7%) e metalurgia (6,3%).
O projeto de lei, votado em meio à pressão comercial dos Estados Unidos, afeta além de Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Rússia, Tailândia, Turquia e Taiwan. As tarifas devem impactar 1.463 classificações tarifárias em setores como automotivo, têxtil, vestuário, plásticos, eletrodomésticos e calçados, entre outros, principalmente produtos chineses.
Na terça-feira, a Câmara dos Deputados já havia votado a proposta da presidente Claudia Sheinbaum, que agora precisa publicá-la para que as novas tarifas entrem em vigor em 1º de janeiro de 2026. Em apoio à reforma, os legisladores do partido do governo enfatizaram que ela busca fortalecer o setor industrial do México, promover a criação de empregos e expandir as cadeias de suprimentos.
A proposta “tem como único objetivo fortalecer a economia nacional”, afirmou o senador Juan Carlos Loera, do partido governista Morena, durante o debate.
Obedecendo a Trump?
Sheinbaum apresentou a proposta em setembro, em meio à crescente pressão comercial de Trump e acusações de que o México é a porta de entrada para produtos chineses nos Estados Unidos. O México, juntamente com o Canadá, prepara-se para negociar a renovação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC) com os EUA, enfrentando novas exigências da Casa Branca.
“Essas tarifas coincidem com uma onda de restrições comerciais nos Estados Unidos, o que levanta uma questão central: o México está definindo sua própria política comercial ou está reagindo a Washington, ou pior, obedecendo a Washington?”, questionou Mario Humberto Vázquez, do partido da oposição PAN.
Sheinbaum rejeitou essas críticas, argumentando que essa medida faz parte do Plano México, um projeto lançado por ela para fortalecer o mercado interno, reduzir a dependência de importações de terceiros países e gerar uma maior proporção de conteúdo nacional.
Após o anúncio da reforma em setembro, a China alertou que se opunha a qualquer “coerção” para impor restrições às suas exportações e anunciou que estava considerando medidas de retaliação. O governo de Sheinbaum propôs um “grupo de trabalho” ao gigante asiático a respeito dessa iniciativa, embora poucos detalhes do diálogo tenham sido divulgados.
Diversos setores e indústrias manifestaram sua oposição à iniciativa. Amapola Grijalva, representante da Câmara de Comércio México-China, alertou à AFP que ela poderia impactar a inflação e que a construção de uma cadeia de suprimentos mexicana exigiria tempo e investimento.
Em fins de agosto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, destacou que Brasil e México se comprometeram a aumentar os investimentos recíprocos e a corrente de comércio bilateral, além de atualizar e ampliar dois acordos econômicos assinados em 2002.

“É bom esclarecer que em nenhum momento se pensou em ter livre comércio. Livre comércio nós temos no Mercosul, que é um tratado, então você tem ali o livre comércio e união aduanera. O que nós estamos trabalhando com o México é atualizar, ampliar o acordo de comércio exterior de investimento chamado ACS 53 e ACS 55”, disse ele.
*Com Agência Brasil, Comex e AFP
