Nova ameaça

México e Cuba condenam hostilidade dos EUA contra Venezuela e defendem não intervenção

Sheinbaum critica a inação da ONU e pede diálogo e paz, e não intervenção, para evitar derramamento de sangue

Pessoas passam por um mural que retrata o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez ao lado de heróis da independência da Venezuela em Caracas, em 17 de dezembro de 2025.
Pessoas passam por um mural que retrata o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez ao lado de heróis da independência da Venezuela em Caracas | Crédito: Juan Barreto/AFP

A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, manifestou-se nesta quarta-feira (17) sobre a crescente hostilidade dos Estados Unidos em relação à Venezuela. Em sua habitual coletiva diária, a Mañanera del Pueblo, Sheinbaum questionou a inação das Nações Unidas e conclamou o organismo a agir para evitar “um derramamento de sangue”.

“Diante da declaração de ontem do presidente Trump e da situação na Venezuela, reiteramos a posição do México, de acordo com a Constituição: não intervenção, não ingerência estrangeira, autodeterminação dos povos e solução pacífica das controvérsias. Defendemos que, diante de qualquer controvérsia internacional, sejam priorizados o diálogo e a paz, e não a intervenção”, afirmou a mandatária ao iniciar a coletiva, acrescentando que “essa é a nossa posição, por convicção e por Constituição; e deve ser sempre a posição de qualquer presidente do México”.

Como demonstração da urgência e da relevância do tema, as declarações foram feitas logo no início da coletiva matinal, antes do habitual balanço das ações governamentais e da agenda diária do país.

As declarações de Sheinbaum ocorreram após o presidente Donald Trump ordenar, de forma unilateral, um bloqueio naval total contra a Venezuela — elevando, assim, o nível de hostilidade bélica dos Estados Unidos contra o país — e classificar o governo do presidente Nicolás Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”.

Antes de emitir qualquer avaliação sobre o governo venezuelano, a mandatária destacou que “independentemente das opiniões sobre o regime da Venezuela ou sobre a presidência de Maduro, a posição do México deve ser sempre clara: não à intervenção, não à ingerência estrangeira; solução pacífica dos conflitos e diálogo pela paz”.

“Conferência do Povo” no Salão Tesouraria do Palácio Nacional.
A presidenta Claudia Sheinbaum na “Conferência do Povo” no Salão Tesouraria do Palácio Nacional | Crédito: Juan Carlos Buenrostro / Presidência

Embora em diversas ocasiões tenha afirmado que a postura do chamado “humanismo mexicano” se baseia no respeito ao princípio da não intervenção e na defesa da soberania nacional, esta é a primeira vez que ela se pronuncia de forma aberta diante da escalada da hostilidade dos Estados Unidos.

Diante da inação e do silêncio dos organismos internacionais, a mandatária declarou: “Que [as Nações Unidas] assumam seu papel, que não tem sido visto; que assumam sua responsabilidade para evitar qualquer derramamento de sangue e que se busque sempre uma solução pacífica para os conflitos”, afirmou Sheinbaum, a partir do Palácio Nacional.

Declaração de Cuba

Por sua vez, o governo cubano criticou mais uma vez as ameaças dos Estados Unidos contra a Venezuela. Em consonância com as diversas declarações que a ilha caribenha vem fazendo em defesa da soberania venezuelana e do Direito Internacional, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, expressou seu apoio ao presidente Nicolás Maduro e à Revolução Bolivariana.

“Nosso enérgico repúdio ao bloqueio naval do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela. Apoiamos firmemente o presidente Nicolás Maduro, a Revolução Bolivariana e chavista e sua União Popular-Militar. Nosso total respaldo ao comunicado publicado pelo governo venezuelano”, escreveu o mandatário ao compartilhar, nas redes sociais, o comunicado oficial do governo da Venezuela.

Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, por meio de uma breve mensagem nas redes sociais — na qual também compartilhou o comunicado venezuelano —, classificou as ações de Washington como “uma gravíssima violação do Direito Internacional”.

Editado por: Luís Indriunas

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